Durante algum tempo, a OnePlus conseguiu fazer uma coisa muito rara no mundo dos smartphones. Ofertas interessantes, com boas especificações, bom design, a um preço que fazia sentido. Produtos que pareciam realmente equilibrados.
Temos até o exemplo do OnePlus Open, que não era apenas apenas mais um Fold para entrar na moda. Tinha bom hardware, boas câmaras, bateria acima da média e, acima de tudo, um preço que fazia mais sentido face ao que é habitual.
O problema é que a marca desapareceu desta conversa. No fundo, a OnePlus vai desaparecer de todas as conversas, porque parece ser a próxima a definhar no mundo dos smartphones. Mas isso pode ser uma chance para a Motorola.
A Motorola pode ocupar o espaço que a OnePlus deixa vago no mercado
Isto é inegável. A Motorola tem um potencial tremendo, mas está com dificuldade em realizá-lo.
O produto já existe, é bem feito, mas ainda não convenceu os consumidores. Dito tudo isto, o mais curioso no meio disto tudo é que a Motorola nem precisa de reinventar o segmento. Basta perceber o que a OnePlus fez bem, olhar para o que a Samsung e a Google continuam a fazer mal, e depois meter em cima da mesa um produto mais equilibrado e mais amigo da carteira.
O Razr Fold aparece no momento certo?
Caso não saibas, a OnePlus também tem dobráveis. Por isso, é aqui que a Motorola pode entrar de forma muito inteligente. O Razr Fold surge numa altura em que a concorrência está algo acomodada e em que já há muita gente farta de esperar que Samsung e Google acertem em tudo ao mesmo tempo.
A Samsung continua a dominar em nome, marketing e distribuição, mas já não impressiona como impressionava. A Google até consegue fazer algumas coisas bem, especialmente no software e na fotografia, mas continua a dar a sensação de que ainda está a aprender a fazer hardware de topo de gama sem tropeçar pelo caminho.
Entretanto, a OnePlus sai de cena. E pode ser precisamente aí que a Motorola ganha espaço para respirar.
Hardware forte e preço certo? A OnePlus ganhou esse estatuto. A Motorola pode herdá-lo.
A marca chinesa conseguiu construir uma imagem muito curiosa neste segmento. Não era a líder, mas passou a ser vista como a alternativa inteligente. A escolha para quem queria sair do óbvio sem entrar no território do risco total.
Esse papel fica agora sem dono.
E a Motorola tem aqui uma oportunidade rara para o agarrar com as duas mãos. Até porque já não é a Motorola de há uns anos, perdida entre decisões estranhas e produtos sem grande impacto. A marca tem vindo a recuperar identidade, especialmente nas Américas, e parece finalmente perceber onde quer jogar.
Mas há um problema muito importante, o software
Claro que nem tudo depende do hardware. Na verdade, nos dias que correm, o software vale quase tanto como o resto do produto.
E aqui está talvez o maior ponto de interrogação. A Motorola tem vindo a melhorar neste campo, mas precisa de mais foco para entregar um produto mais refinado.
O preço pode decidir tudo!
Mas no fim do dia há sempre uma verdade que manda mais do que todas as outras. O preço.
Foi isso que ajudou a OnePlus a ganhar espaço. E é isso que pode ajudar a Motorola a ocupar esse lugar. Está tudo a encarecer, e como a Motorola está dentro do grupo da Lenovo, tem estaleca para criar algo interessante a um preço irreverente e fora do normal.
Pode e deve fazer essa aposta.









