A inteligência artificial está cada vez mais perto de assumir um papel oficial e formal nos diagnósticos por imagem médica. O diretor-executivo da rede pública de hospitais da cidade de Nova Iorque, o médico Mitchell H. Katz, afirmou recentemente que a sua organização poderia substituir grande parte dos radiologistas humanos por estes sistemas informáticos de forma imediata, caso os obstáculos legais e burocráticos fossem aliviados. Mas faz sentido a inteligência artificial substituir os radiologistas?
Inteligência Artificial pode substituir os radiologistas em breve
Em primeiro lugar, o maior sistema hospitalar público dos Estados Unidos já utiliza tecnologia automatizada para auxiliar na interpretação de mamografias e radiografias. O especialista em medicina interna, que lidera esta rede de onze hospitais desde o ano de 2018, defende que permitir que a máquina faça a primeira análise aos exames, especialmente nos rastreios de cancro da mama, traria poupanças financeiras gigantescas. Consequentemente, os profissionais humanos teriam a possibilidade de se focar exclusivamente na confirmação de resultados anómalos ou em casos de elevada complexidade.
O apoio de outros líderes hospitalares
Esta visão arrojada é partilhada por outros executivos da área da saúde. David Lubarsky, diretor do Westchester Medical Center, revelou que o seu sistema já tem registado resultados incrivelmente animadores. Segundo o responsável, a inteligência artificial que utilizam falha a deteção de pouquíssimos cancros da mama e chega mesmo a superar a precisão de diagnóstico dos seres humanos. O médico explicou ainda que, em pacientes de baixo risco, os falsos negativos ocorrem numa margem ínfima, falhando apenas cerca de três vezes em cada dez mil análises.
Por conseguinte, perante a pressão para alterar a legislação atual de forma a permitir leituras totalmente autónomas pela máquina, com os médicos a intervir apenas em anomalias, outros diretores concordam que a medida seria totalmente transformadora. Sandra Scott, responsável por um hospital de intervenção social no bairro de Brooklyn, explicou que esta transição tecnológica ajudaria a manter as portas abertas de muitas instalações que sofrem atualmente com graves dificuldades financeiras.
De facto, a discussão evidencia como as enormes pressões económicas estão a impulsionar o avanço tecnológico. Isto visto que os especialistas em radiologia se tornaram dispendiosos para as clínicas face ao aumento da procura e à falta crónica de médicos no mercado.
As Preocupações com a Segurança dos Pacientes
No entanto, nem toda a comunidade médica partilha deste enorme otimismo. Vários radiologistas têm demonstrado uma forte oposição à ideia de que a tecnologia já consegue realizar funções centrais de diagnóstico de forma perfeitamente independente.
Paralelamente, o médico radiologista Mohammed Suhail criticou duramente estas perspetivas numa entrevista recente. Assim argumentou que os líderes hospitalares estão a colocar a segurança dos pacientes em risco. Isto por depositarem demasiada confiança em sistemas que consideram não estar devidamente comprovados. O especialista alertou que qualquer tentativa de implementar análises feitas exclusivamente por algoritmos resultaria em danos graves ou mesmo mortes imediatas, acusando os defensores da ideia de enorme ingenuidade por não compreenderem a complexidade da radiologia. O médico acrescentou ainda que os hospitais estão frequentemente dispostos a priorizar o corte de despesas em detrimento da segurança clínica. Isto desde que os reguladores assim o permitam.
Em suma, a divisão sobre a prontidão da inteligência artificial no setor da saúde continua a ser bastante profunda e acesa. Enquanto alguns executivos veem um caminho claro e escalável para a automação e para a rentabilidade, os críticos alertam que os riscos médicos e éticos superam largamente qualquer benefício financeiro. Portanto, o futuro dos exames médicos não depende apenas da evolução dos sistemas em si. Também da decisão crucial dos legisladores sobre se devem, ou não, entregar a primeira palavra e a saúde dos pacientes às máquinas.










