Os smartphones já foram acusados de tudo e mais alguma coisa, mas… Porque de facto mudaram completamente o nosso dia-a-dia.
Estamos a falar de conseguirem roubar atenção, aumentar a ansiedade, estragar o sono e até fritar a paciência de toda a gente. Mas agora há uma nova moda a ganhar força! E desta vez o alvo é o pescoço.
Sim, o chamado “tech neck” está a começar a preocupar cada vez mais gente, especialmente porque há quem acredite que andar sempre de cabeça para baixo a olhar para o ecrã pode acelerar a forma como envelhecemos.
No fundo, a ideia é simples. Passamos horas a olhar para o smartphone, com o queixo encostado ao peito, e isso não afeta só postura ou dor cervical. Pode também deixar marcas visíveis no pescoço, com linhas horizontais cada vez mais fundas.
Na realidade, devido à falta de saber estar bem sentado, isto também pode acontecer a quem está muito tempo ao PC.
O problema não é novo. Mas agora toda a gente repara nele.
Se formos muito honestos, o pescoço sempre envelheceu depressa. Isso não é novidade nenhuma. Aliás, há empregos bastante piores para o corpo humano, do que estar a olhar para um ecrã.
A questão aqui é… O smartphone mudou a forma como passámos a viver. Hoje em dia, passamos demasiado tempo a olhar para baixo, seja no smartphone, no tablet ou até no portátil, e isso está a trazer mais atenção para uma zona do corpo que quase ninguém queria discutir.
Ou seja, não estamos necessariamente perante um fenómeno completamente novo. Estamos é perante um hábito moderno que pode estar a piorar uma coisa que já acontecia.
E como é óbvio, bastou isso para abrir a porta a uma nova ansiedade estética. Porque uma coisa é ter dores no pescoço. Outra é começar a achar que o smartphone te está a envelhecer a cara… por baixo da cara.
Mais horas no ecrã, mais tempo de cabeça para baixo
A lógica por trás do “tech neck” é muito fácil de perceber. Quanto mais tempo passas a olhar para baixo, mais tensão colocas na zona cervical e mais vincas crias naquela pele fina do pescoço. Se repetires isso todos os dias, durante anos, a coisa fica lá.
E o problema é que hoje em dia ninguém usa o smartphone pouco tempo.
Música, redes sociais, mensagens, mapas, vídeos, trabalho, compras, pagamentos, jogos, notícias, banca, fotos, edição… o telemóvel já não sai da mão. E se o telemóvel já não sai da mão, a cabeça também quase nunca sai dessa posição.
Como seria de esperar, a indústria da beleza já viu aqui uma mina de ouro!
É aqui que a coisa fica ainda mais curiosa. Porque mal começou a haver conversa sobre “tech neck”, apareceram logo cremes, séruns, dispositivos de luz vermelha, guias, conselhos e campanhas de marketing a atacar exatamente esse medo.
No fundo, o smartphone criou o problema… e o mercado já está pronto para vender a solução.
E sejamos honestos, isto encaixa perfeitamente no estado atual da Internet. Basta aparecer uma nova insegurança para surgirem logo dez marcas a vender esperança num frasco.
Mas há uma diferença entre marketing e realidade
É importante não cair logo no exagero. Sim, a postura conta. Sim, a forma como usas o smartphone pode afetar o teu pescoço. Mas isso não significa que cada linha horizontal seja culpa do Instagram, do TikTok ou do Reddit.
O envelhecimento continua a existir, a genética continua a mandar muito, e o pescoço sempre foi uma das zonas mais ingratas do corpo.
Ou seja, o “tech neck” pode ser real, mas também está claramente a ser usado como rótulo perfeito para vender preocupação a quem passa demasiado tempo online. O que, ironicamente, só alimenta ainda mais o problema.
A solução mais eficaz continua a ser a mais chata?
Como em quase tudo na tecnologia, a resposta mais útil não é a mais glamorosa. Levantar mais o telemóvel, olhar menos tempo para baixo, fazer pausas, melhorar a postura e deixar de viver com o ecrã colado à cara continua a ser muito mais importante do que qualquer creme da moda.
Sim, isso é menos sexy do que comprar um tratamento “anti-tech neck”. Mas também é bastante mais lógico, e muito mais eficaz.
Aliás, é precisamente por isso que quase ninguém quer ouvir essa parte.









