Como disse aqui, tenho saudades de conduzir um bom automóvel a gasolina ou a gasóleo, porque sinto falta de sentir o carro nas minhas mãos e pés. E aqui nem estou a falar do som, que também é importante, mas nos dias que correm é cada vez mais raro. Os automóveis mais recentes, especialmente os elétricos, oferecem muita tecnologia, designs apelativos, entre muitas outras coisas, mas… Dinâmica? É quase sempre para esquecer.
O que é normal. Os elétricos são normalmente altos, pesados e com dificuldades em lidar com o peso da bateria. Além disso, o condutor moderno já não liga grande coisa à condução propriamente dita, preferindo conforto e tecnologia.
Mas ainda existem algumas exceções à regra.
Aliás, existe um carro elétrico que é de facto muito divertido, muito provavelmente porque tentou fugir a muitas das regras dos automóveis elétricos grandes e pesados. Estamos a falar do Renault 5.
Se o Renault 5 fosse mais barato… Cometia uma loucura!
Já ando a testar carros desde 2018, por isso, posso dizer que já me passaram centenas de carros pelas mãos. Mas, devido à partilha de plataformas e componentes entre as marcas, e claro, ao inegável foco na eletrificação, a realidade é que a grande maioria dos carros se sente muito igual uns aos outros.
Estou a falar de designs extremamente parecidos, uma condução relaxada e pesada, com um enorme foco na tecnologia, segurança e conforto. Aquele tipo de carro que aceleras, e quando chegas a alguma curva, ou tens de travar de forma mais repentina, sentes o estômago colado às costelas ou à espinha.
O que é… normal e até completamente natural.
Os condutores hoje em dia querem segurança acima de tudo. Por isso, infelizmente, o entusiasta que gosta de ouvir um motor a ronronar é hoje em dia cada vez mais raro.
Mas o gosto pela condução ainda existe, e ainda há carros capazes de entregar essas sensações. O Renault 5 é um desses carros. Aliás, é um dos únicos automóveis em que pedi para fazer um ensaio mais alargado, tendo sido possível andar com uma unidade bem equipada durante quase 1 mês.
Foi um mês muito interessante da minha vida, onde até cheguei a fazer contas à vida. Aliás, foi um dilema que me custou esquecer, mas que voltou agora à ribalta, porque testei recentemente o Nissan Micra, um carro que é, no fundo, um Renault 5 disfarçado.
Hoje em dia é tão difícil ter um carro pequeno, agradável à vista e divertido nas curvas, que eu cheguei a dar voltinhas com o Micra só porque me apetecia andar de carro.
Algo que já não acontecia… há muito tempo.
E é exatamente por isso que o Renault 5 me ficou na cabeça. O problema é que, apesar de tudo o que oferece, o preço continua a empurrá-lo para uma zona onde já custa muito mais justificar uma compra por impulso. A versão five até começa nos 24.900€, o que até nem assusta muito. Mas, é uma versão muito despida e com apenas 40kWh de bateria, o que é muito pouco para o meu dia a dia. A versão mais barata com bateria de 52kWh começa nos 31 mil euros, e se quisermos algum equipamento para tornar a proposta mais decente, rapidamente nos vemos acima dos 33 mil euros. (Podes ver os preços aqui).
Ou seja, o problema não está no preço de entrada.
É a rapidez com que a brincadeira sobe para valores que já metem respeito, e metem este pequeno elétrico ao lado de propostas potencialmente mais aliciantes, como é o caso do Tesla Model 3.
Em suma, acredito muito honestamente que, se fosse um bocadinho mais barato, já tinha feito asneira. Eu e muitos outros.









