A Fórmula 1 entrou em 2026 com uma promessa que parecia bonita, mas que sempre deixou os entusiastas (e de facto também os pilotos) em sentido. Ou seja, ao meter mais ênfase na componente elétrica, iríamos ter carros mais eficientes, mais modernos, mais relevantes para o mundo real e, claro, um novo equilíbrio entre o presente e o futuro. O problema é que a realidade em pista começou a mostrar outra coisa.
Estas regras são artificiais, estragam a essência da F1, e pior que isso, começam a levantar dúvidas sérias no lado da segurança.
O famoso 50% 50% parece moderno. Mas está a criar um monstro!
Portanto, além de algumas diferenças na aerodinâmica que acabaram com o DRS, e tornaram os carros mais pequenos e leves, a grande mudança da Fórmula 1 para esta nova geração está na motorização.
Ou seja, a ideia passa por ter uma divisão muito mais equilibrada entre o motor térmico e a componente elétrica. Assim, em vez de um sistema híbrido com ajuda elétrica mais discreta, a F1 quis meter metade da performance nas costas da eletrificação.
- Nota: Ah… Além de tudo isto, o combustível utilizado pelo motor a combustão é agora 100% sintético.
Tudo isto significa menos dependência do motor a combustão, mais recuperação de energia, mais eficiência, e claro, mais discurso “verde”. O problema é que isto também obrigou a mudar a forma como os carros se comportam em pista, e sobretudo a forma como os pilotos são obrigados a conduzir.
Sim, a nova unidade motriz continua a contar com um V6 turbo de 1.6 litros, mas perde o MGU-H e ganha uma importância muito maior no lado elétrico, com um MGU-K muito mais poderoso. Isto significa mais energia recuperada, mais gestão, mais modos, mais estratégia… e menos naturalidade.
Estas regras são falsas porque criam corridas falsas?
Quem segue o desporto, já deve ter percebido que nem todos os pilotos estão felizes com as novidades. Dois dos maiores críticos, são também dois dos mais consagrados pilotos da F1, Max Verstappen e Fernando Alonso. Mas não estão sozinhos. Todos os pilotos têm algo a dizer.
Curiosamente, os que menos falam são… Os que estão a ganhar. O que é normal. Mas até Charles Leclerc da Ferrari, que até tem tido bons resultados, parece odiar as novas regras. Especialmente quando se fala da qualificação, em que deixou de ser possível levar o carro ao limite.
Pois… é aqui que a coisa começa a azedar. A F1 sempre foi o pináculo do automobilismo porque juntava velocidade, agressividade, precisão e coragem. Agora, em muitos momentos, começa a parecer um exercício de gestão de bateria com rodas.
Mais concretamente, as curvas mais excitantes da F1 são agora “sítios de carregamento”. Ou seja, mesmo que o piloto vá com o prego a fundo, o carro está programado para carregar a bateria nesses sítios, e como tal, a potência baixa de uma forma quase absurda.
Há monolugares a perder mais de 50 km/h, ou até mais do que isso, em certas partes das pistas.
Mas… Isto fica pior!
Eu sempre pensei que a forma como a energia era utilizada dependia uma parte do piloto, e outra parte da equipa. Mas… Não! Para que a energia seja gasta da melhor forma possível, os carros têm uma espécie de algoritmo capaz de tomar decisões sem o “input” do piloto.
Ou seja, por vezes o piloto ganha potência porque o algoritmo decide, e outras perde porque… O algoritmo decide. Além de tornar o espetáculo falso, também cria um enorme perigo em pista.
Afinal, o que acontece quando um piloto perde toda a energia e o outro ganha? Acontece exatamente aquilo que aconteceu em Suzuka, em que Bearman, da Haas, teve de se desviar de Franco Colapinto, e como tal, bateu nos separadores a uma velocidade simplesmente brutal e assustadora.
Sim, o piloto está bem, apenas com um mau jeito na perna. Mas… Foi o primeiro grande aviso de que as regras têm problemas graves.
O mais absurdo? A FIA já sabia que isto podia acontecer.
Este é talvez o ponto mais irritante no meio de tudo. As preocupações com o lado da segurança e com a forma como a energia elétrica ia ser distribuída ao longo da volta não apareceram agora. Já existiam dúvidas há meses, e até houve conversas sobre ajustar a utilização da bateria em pistas mais sensíveis.
Aliás, em Suzuka já houve mexidas para tentar reduzir o efeito mais ridículo destas regras em qualificação. Portanto, a FIA mexeu porque sabe que existe um problema. Só ainda não quer admitir o tamanho dele.
É exatamente por isso que agora há equipas e pilotos a pedir uma revisão séria do regulamento. Não um retoque. Não uma pequena afinação. Uma discussão séria.
A Fórmula 1 quis parecer mais moderna. Mas arrisca parecer menos F1.
É este o grande drama. A F1 está tão preocupada em parecer relevante para os fabricantes, para a agenda da eficiência e para a narrativa da sustentabilidade, que corre o risco de perder aquilo que a tornou especial durante décadas.
Ninguém está a dizer que a tecnologia não deve evoluir. Claro que deve. Mas há uma diferença enorme entre evoluir e destruir a lógica base da competição.
Se os pilotos passam a vida a gerir bateria, se as ultrapassagens começam a depender de mapas energéticos e se as diferenças de velocidade em reta passam a criar cenários perigosos, então alguma coisa falhou pelo caminho.
No fim do dia, a Fórmula 1 meteu-se num beco complicado
A nova era da F1 foi vendida como o futuro. Mas neste momento parece mais uma experiência feita à pressa para agradar a toda a gente ao mesmo tempo. Fabricantes, política, espetáculo, sustentabilidade, inovação. O resultado? Um regulamento que quer fazer tudo, e por isso mesmo arrisca não fazer nada realmente bem.
A Fórmula 1 está debaixo de fogo por uma razão muito simples. As novas regras não só parecem falsas em pista, como começam a parecer perigosas fora do PowerPoint.
Mas, há promessas que tudo vai melhorar. Resta saber o que é possível fazer ainda esta época. Diminuir a potência da componente elétrica. Baterias maiores. Maior capacidade de captura de energia? Partilha connosco a tua opinião na caixa de comentários em baixo.










