Os irmãos Duffer criaram um verdadeiro fenómeno global com a famosa série de ficção científica da Netflix. Contudo, com essa história de Hawkins praticamente encerrada, a dupla está a explorar ativamente novos horizontes. Por conseguinte, o seu mais recente projeto chama-se Algo Terrível Está Prestes a Acontecer. Trata-se de uma série de terror criada por Haley Z. Boston, onde os criadores de Stranger Things assumem o papel de produtores executivos. No entanto, esta nova aposta comete um erro de ritmo terrível que a sua obra anterior soube evitar com mestria.
Criadores de Stranger Things criaram um início lento que afasta os espetadores
A trama foca-se no casal Rachel e Nicky, que viaja até uma enorme cabana isolada na floresta para celebrar o seu casamento com uma família extremamente disfuncional. Além disso, as coisas tornam-se insólitas muito antes de chegarem ao destino. O casal depara-se com histórias sobre um assassino em série e boatos sobre um monstro local que ataca noivas.
Deste modo, o ambiente fica carregado de tensão desde o primeiro minuto. A protagonista chega mesmo a avisar o noivo de que algo de muito mau está prestes a acontecer naquelas paragens. Adicionalmente, o clímax do primeiro episódio culmina com a receção de um convite de casamento com um aviso imperativo para não casar com ele escrito no verso.
O contraste brutal com o sucesso da Eleven
Por outro lado, o grande problema da narrativa reside no ritmo excessivamente arrastado que se segue. O primeiro episódio constrói bem a atmosfera sombria. Contudo, a série mantém esta exata dinâmica de forma estática durante mais duas longas horas. Assim sendo, passas uma verdadeira eternidade a ver a protagonista a ser manipulada, rebaixada e psicologicamente maltratada pelos futuros familiares sem que a história avance.
Consequentemente, apenas no quarto episódio é que o enredo ganha verdadeira tração ao mergulhar no passado para revelar a maldição central. Em oposição total, o primeiro episódio de Stranger Things fez tudo de forma perfeita. Logo no arranque inicial, fomos apresentados à cidade, ao desaparecimento misterioso de Will e aos poderes incríveis da jovem Eleven, agarrando o público de imediato.
Uma história esticada que merecia ser um filme
Em suma, ao guardar a verdadeira ação para o meio da temporada, a série presta um péssimo serviço aos espetadores. Logo, a sensação final é de que estamos perante um enredo razoável esticado artificialmente para preencher os oito episódios exigidos.
Quando a ação finalmente arranca, a qualidade sobe bastante, lembrando os grandes sucessos de terror e os segredos familiares desenterrados nas séries de Mike Flanagan na mesma plataforma. Resumindo, a premissa funcionaria de forma absolutamente brilhante e frenética se tivesse sido condensada num formato de filme, em vez de testar a paciência do público com convidados de casamento desinteressantes durante horas a fio.










