As tempestades passaram, mas há coisas que continuam exatamente iguais. As faturas chegam na mesma, completas, como se nada tivesse acontecido.
É o clássico… “Quem não chora, não mama”. Ou seja, se disseres alguma coisa, é provável que já exista um qualquer processo para oferecer descontos ou não cobrar pelo tempo em que não houve serviço. Mas, se não disseres nada, é para pagar normalmente.
O que aconteceu em concreto? Em várias zonas afetadas pelo mau tempo, houve clientes dias ou até semanas sem televisão, sem Internet e sem telefone. Aliás, ainda existem consumidores sem fibra ótica aos dias de hoje.
Mesmo assim, quando chegou a fatura de fevereiro, veio com o valor total. Sem ajustes.
Pagas na mesma… depois logo se vê!
Entretanto, agora que as faturas já chegaram às mãos dos consumidores, segundo as operadoras, ninguém precisa de se preocupar. As compensações vão chegar. Mas não agora. Vão ser creditadas numa fatura futura.
Ou seja, o cliente paga já por um serviço que não teve… e depois, eventualmente, recebe o acerto. Se tudo correr bem, claro.
No meio disto tudo, há casos diferentes
Como dissemos em cima, nem todas as experiências foram iguais. Há clientes que foram parcialmente compensados sem grande luta por parte das operadoras. Porquê? Porque levantaram o tema junto do suporte. Outros ficaram semanas sem serviço e continuam à espera de resolução.
Mas isso só reforça o problema. Não há consistência.
Depende da operadora, da zona, da insistência do cliente e, muitas vezes, da sorte. E isto, num serviço essencial como telecomunicações, simplesmente não faz sentido.
O problema não é novo… mas continua igual
A verdade é que esta estratégia não é novidade. Cobra-se tudo por defeito e corrige-se depois, se houver reclamação. Funciona assim nas telecomunicações, mas também noutras áreas. A diferença é que aqui estamos a falar de serviços que, para muita gente, já são essenciais no dia a dia.
Trabalho remoto, escola, acesso a informação, contacto com família. Ficar dias ou semanas sem serviço não é apenas um incómodo. É um problema real.
Mesmo assim, a responsabilidade continua a cair do lado do consumidor, que tem de perder tempo a reclamar para receber algo que devia ser automático.
No fim, a lógica mantém-se
Pagas primeiro. Reclamas depois.










