Sou um confesso fã de Fórmula 1, sendo exatamente por isso que de vez em quando escrevo sobre desporto motorizado aqui. Por isso, quando surgiu um convite da Citroen para ir à Fórmula E em Madrid, aceitei, apesar de ir um pouco às cegas.
Sabia claro, que eram carros elétricos, e sabia também que temos um piloto Português a espalhar magia nesta competição. Sabia também algumas regras básicas da corrida, como o novo método de carregamento, regras do boost, etc… Mas pouco mais. Ainda assim, saí de lá com uma certeza. Isto é muito mais interessante do que parece na televisão!
Melhor que tudo isto, o Português que anda a espalhar magia, ganhou o E-Prix com uma pinta do caraças. Parabéns António Félix da Costa!
Mas afinal… o que é a Fórmula E?
É uma espécie de Fórmula 1… mas com carros elétricos. Porém, é preciso ter calma. Não é só trocar gasolina por bateria e seguir viagem. Até porque a Fórmula 1 também anda a seguir o caminho da eletrificação, à sua própria maneira, apesar de muitas críticas à mistura.
Dito tudo isto, a Fórmula E tem regras próprias, corridas mais curtas e muita estratégia à mistura. Apesar de isto estar a mudar, como é o exemplo da corrida de hoje, a competição quase sempre preferiu circuitos urbanos, no meio das cidades.
Ou seja, muitas curvas apertadas, menos espaço para erros e muito mais contacto próximo. É emocionante!
Como funciona uma corrida?
A ideia é simples. Como em qualquer corrida. Os carros alinham na grelha, arrancam, e ganha quem chegar primeiro ao fim. Até aqui tudo normal.
Mas há detalhes importantes!
- As corridas são mais curtas que na Fórmula 1 (em Madrid foram 23 voltas)
- A energia da bateria tem de ser gerida ao milímetro (podes ficar sem bateria!)
- Os pilotos não podem andar sempre a fundo (A bateria (ainda) não o permite).
Tens de saber saber quando acelerar, e claro, como acelerar.
Attack Mode? Sim, existe um modo de ataque.
Os pilotos são obrigados a ir às pits fazer um super carregamento (600kWh) durante 30 segundos, além disso, existem também uma funcionalidade chamada Attack Mode. Ou seja, os pilotos passam por uma zona específica da pista e recebem mais potência durante alguns segundos.
Mas há vários problemas. Para ativar isto, têm de sair ligeiramente da trajetória ideal, o que é muito perigoso, porque muitas vezes os carros andam “coladinhos” durante todo o circuito. Além disso, só têm acesso até um máximo de 8 minutos de 50kW extra de potência.
Ou seja, ganhas potência… mas podes perder tempo e posições. E não podes ativar só porque sim. Tens de saber quando o fazer. No fundo, é mais uma camada de estratégia.
E o português?
Sim, tivemos um português a ganhar. E não foi sorte. Nem por sombras. Foi muita habilidade! Foi estratégia, controlo e cabeça fria! As últimas 3 voltas foram de cortar a respiração. Incrível.
No final do dia, António Félix da Costa sempre mostrou ter “kit de unhas”, o que faz todo o sentido. Afinal de contas, esteve com contrato assinado (e banco feito) com a Red Bull para fazer das suas na F1. E claro, hoje voltou a não desiludir.
Conclusão
Estou fã! A corrida é muito interessante, e é curtinha. Dá para encaixar facilmente no dia.










