Durante muito tempo, falar de combustíveis a 2€ por litro parecia exagero. Depois aconteceu e é agora o “novo normal”. Infelizmente, começar a falar de gasóleo e gasolina a 3€ já não parece assim tão absurdo.
Aliás, se olharmos para o caos atual, para a tensão internacional e para a forma como o mercado reage a tudo e mais alguma coisa, a verdade é que este cenário começa mesmo a entrar no campo do possível. Aliás, já se fala de uma subida entre 15 e 20 cêntimos para o gasóleo na próxima segunda-feira. Por isso, já vamos ficar bastante acima do limite dos 2€ que em outros tempos fizeram tremer Portugal.
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O problema não é só o carro. É toda a vida à volta dele

Há quem brinque com o clássico “eu meto sempre 20€”, mas a realidade é cada vez menos engraçada. Para muita gente, o carro não é luxo, nem capricho, nem escolha. É ferramenta de trabalho. É necessidade pura.
Quem vive longe do emprego, quem faz dezenas ou centenas de quilómetros por semana, quem trabalha por turnos, quem não tem transportes públicos decentes, ou quem simplesmente vive fora dos grandes centros, não consegue fugir a isto.
Além de tudo isto, vai tudo ficar mais caro. Todo os produtos precisam de transporte, e esse transporte está a ficar cada vez mais carro. Vamos (novamente) ver a nossa amiga inflação a fazer das suas.
Regresso ao escritório? Boa sorte com isso!
Uma das coisas mais curiosas no meio disto tudo é ver certas empresas a insistirem no regresso ao escritório como se nada fosse. Fala-se de produtividade, espírito de equipa, colaboração e criatividade. Tudo muito bonito. Mas depois ninguém quer saber quanto custa meter combustível para fazer 200 ou 300 km por semana.
Aliás, para muita gente, o aumento dos combustíveis começa a tornar o modelo híbrido ou presencial simplesmente insustentável. E isto vai acabar por obrigar muita empresa a olhar para a realidade, queira ou não queira.
É muito fácil pedir sacrifícios quando o carro da empresa é elétrico, quando há carregamento na garagem, ou quando o combustível nem sai do próprio bolso.
O mercado está nervoso. E isso paga-se caro!
Há uma coisa que convém perceber. O preço dos combustíveis não sobe apenas porque falta produto hoje. Sobe também por causa do medo, da especulação, das compras futuras e da forma como o mercado antecipa problemas.
Ou seja, muitas vezes estamos a pagar hoje por barris que ainda nem chegaram, ou que ainda nem sequer existem.
Mas, quando 20% da produção mundial deixa de existir, ou seja, que 1 em cada 5 barris deixa de existir. A realidade é que o mercado tem de reagir de uma forma quase absurda.
Depois junta-se o costume do costume. Refinarias, distribuidoras, impostos, margens, IVA em cima de impostos, e uma sensação generalizada de que toda a gente está a ganhar menos o condutor que chega à bomba.
Em Portugal, a dor sente-se mais
Este é o ponto que muita gente já não consegue ignorar. Em Portugal, o peso dos combustíveis no orçamento mensal continua a ser enorme. E não ajuda o facto de os salários continuarem longe da realidade de outros mercados europeus.
Pagamos muito para ganhar pouco. Esta é a conta real.
3€ por litro parece exagero? Há pouco tempo 2€ também parecia
Há não muito tempo, falar em combustível acima dos 2€ parecia histeria. Hoje já ninguém acha impossível. Pelo contrário. O mercado já mostrou que consegue normalizar preços absurdos em pouco tempo, desde que exista a desculpa certa.







