Durante anos, a conversa foi sempre a mesma. A Apple faz portáteis bons, mas caros. Se queres poupar dinheiro, vais para o lado Windows e acabou. O problema é que, depois do Air começar a aparecer a pouco mais de 900€, eis que o novo MacBook Neo deu um outro pontapé nessa lógica toda.
Sim, tem compromissos, mas apesar de tudo aquilo que foi dito até aqui, a performance não é um deles. O A18 Pro que dá vida ao iPhone 16 Pro, e agora também ao MacBook Neo, consegue oferecer um nível de desempenho single-core superior a quase toda a concorrência móvel da AMD, Intel e Qualcomm.
Parece absurdo? Não é.
O mais estranho? Isto é um chip “esquecido” da Apple
A parte mais curiosa de toda esta história é precisamente essa. A Apple não precisou de inventar um processador novo de propósito para atacar o mercado dos portáteis baratos. Pegou num chip que já conhecia muito bem, o A18 Pro, ajustou a máquina à volta dele, cortou onde sabia que podia cortar, e colocou no mercado um portátil que, para muita gente, vai ser mais do que suficiente.
É aqui que a concorrência começa a ficar nervosa.
Porque uma coisa é a Apple dominar no topo. Outra muito diferente é começar a descer de preço e a entrar na zona onde o Windows sempre viveu confortável.
O desempenho single-core continua a ser muito importante!
Sim, em multi-core, o A18 Pro fica abaixo de muitos processadores mobile. Mas, a realidade é que o single-core continua a ser extremamente importante. Navegação na Internet, abrir aplicações, mexer no sistema, responder rapidamente ao utilizador, tudo isso depende muito deste tipo de performance.
É por isso que este resultado chama tanto a atenção.
Porque mostra que mesmo um MacBook Neo limitado em alguns aspetos continua a ser extremamente rápido naquilo que interessa à esmagadora maioria dos utilizadores.
O MacBook Neo tem limites. Mas a Apple escolheu bem onde cortar
Claro que o Neo não é um portátil perfeito.
Tem apenas 8GB de RAM, não tem Thunderbolt, e continua a obrigar o comprador a aceitar algumas limitações óbvias para chegar a este preço. Aliás, quem puder subir para um modelo com mais memória ou para um Air mais completo continua provavelmente a ficar melhor servido a longo prazo.
Mas esse nem sequer é o ponto principal.
O ponto é que a Apple percebeu que a maior parte das pessoas não compra um portátil para editar cinema, compilar projetos gigantes ou correr jogos pesados. Compra para navegar, estudar, ver vídeos, responder a emails, trabalhar no Office e pouco mais.
E para isso, o Neo parece chegar e sobrar.
O Windows tem aqui um problema sério!
É por isso que este lançamento está a mexer tanto com o mercado.
Durante anos, o segmento abaixo dos 1000 euros foi dominado por máquinas Windows muitas vezes fracas, mal construídas, com ecrãs banais, autonomia mediana e um desempenho que, em alguns casos, até para abrir YouTube já começava a cansar.
Aliás, máquinas que agora iam encarecer entre os 150 e 300 euros. Iam… Já não vão. Parece magia.
No fim do dia, isto é péssimo para o ecossistema Windows. Porque vai ter de se adaptar no meio de uma crise que nunca existiu até aqui.
Não vai matar o Windows. Mas vai obrigar toda a gente a acordar.
Convém manter os pés no chão. O MacBook Neo não vai acabar com o Windows, nem vai convencer toda a gente a mudar de plataforma.
Há compatibilidades, hábitos, software específico, jogos e muitas outras razões para continuar no lado Windows.
Mas também é verdade que a Apple conseguiu criar uma proposta muito difícil de ignorar.
Porque não está a vender apenas um portátil barato. Está a vender um portátil barato que parece premium, que é rápido, que consome pouca energia e que entra diretamente no segmento onde a concorrência estava habituada a ganhar sem fazer grande esforço.
O mais engraçado? A Apple fez isto com aparente facilidade.
No fundo, esta é a parte mais preocupante para AMD, Intel, Qualcomm e para todas as fabricantes de portáteis Windows.
A sensação que fica é que a Apple nem sequer precisou de forçar muito.
Pegou num chip de telemóvel muito bem afinado, colocou-o num portátil com ADN MacBook e, de repente, criou um dos produtos mais perigosos do mercado atual. Só se fala disto. É incrível!









