A Huawei é, para mim, um autêntico caso de estudo no mercado mundial. Sofreu a bom sofrer com o adeus à Google, e claro, com as limitações no acesso a chips mais avançados, ou até ao acesso às redes 5G. Mas… Continua viva!
Aliás, não está só viva. Apesar de muitos produtos não chegarem à Europa, continua a ser uma marca que lança equipamentos de qualidade inegável. É exatamente por isso que continua a ter um sucesso absurdo nos relógios, nos dispositivos de áudio, e também continua a impressionar nos smartphones, tablets e até portáteis.
De facto, a Huawei foi a primeira fabricante a lançar um smartphone tridobrável. E caso não saibas, também tem um dos portáteis dobráveis mais interessantes do mercado.
Sim, a Huawei não é a única fabricante com um portátil dobrável. A Lenovo e a ASUS também já arriscaram neste tipo de design. Mas fica a ideia de que o produto da gigante chinesa que em tempos dominou o mundo mobile é um bocadinho mais refinado e, por isso mesmo, mais agradável ao olhar.
No fundo, é sempre isto que a Huawei faz. Lança produtos diferenciados, extremamente interessantes, que infelizmente para nós europeus estão limitados ou, muitas vezes, nunca chegam sequer às nossas prateleiras.
Foi graças a estas coisas que a Huawei foi banida?
Sim, o “ban” da Huawei não foi, na teoria, consequência das suas capacidades de design ou sequer da performance dos seus equipamentos mobile. O que aconteceu em 2019 foi uma decisão iniciada pelos Estados Unidos, motivada por preocupações de segurança nacional e internacional.
As autoridades norte-americanas alegaram que os equipamentos da empresa chinesa poderiam ser utilizados pelo governo chinês para espionagem ou até sabotagem de infraestruturas críticas. O foco principal esteve sempre nas redes 5G, onde a Huawei era, na altura, uma das líderes mundiais em tecnologia e infraestrutura.
Essas suspeitas levaram à inclusão da empresa na chamada Entity List, o que na prática limitou drasticamente o acesso da Huawei a tecnologia americana. Foi aí que começou o efeito dominó que todos conhecemos. Smartphones sem serviços Google, dificuldades no acesso a chips avançados e uma enorme pressão internacional sobre parceiros e operadores.
Curiosamente, apesar de todas as acusações e suspeitas levantadas ao longo dos anos, nunca surgiu uma prova pública definitiva que demonstrasse a existência de portas traseiras ou mecanismos de espionagem direta nos equipamentos da marca.
Isso faz com que ainda hoje exista uma enorme divisão de opiniões. Para uns, a decisão foi uma medida preventiva de segurança. Para outros, foi sobretudo uma guerra tecnológica e geopolítica entre Estados Unidos e China.
Ficou sempre a ideia de que a Huawei pode ter sido vítima do seu próprio sucesso. Afinal, a empresa estava a crescer rapidamente no mercado internacional e tinha uma posição extremamente forte no lado das infraestruturas de telecomunicações.
O que é verdade ou mentira, provavelmente nunca saberemos ao certo. Mas há uma coisa que continua evidente. A Huawei está presente, mas ao mesmo tempo deixa saudades.







