Durante anos, a Apple viveu numa realidade muito simples no mundo dos portáteis. Quem queria um MacBook tinha de pagar, e claro, tinha de pagar bem. Não havia grande conversa, nem muitas alternativas. Verdade seja dita, isso começou a mudar quando a Apple disse adeus à Intel e começou a ter mais controlo sobre tudo aquilo que entrava nos seus portáteis. Ainda assim, é inegável que com o novo MacBook Neo o jogo muda muito mais a sério.
Afinal de contas, a gigante norte-americana que normalmente domina pelo iPhone, decidiu mexer num segmento onde a Microsoft e os fabricantes do lado Windows andam há muitos anos a vender máquinas baratas, quase sempre com especificações aceitáveis no papel, mas com uma experiência real muito abaixo do desejável.
E é exatamente por isso que o lançamento deste portátil pode ter muito mais impacto do que parece à primeira vista.
O MacBook Neo não quer destruir o MacBook Air. Em vez disso quer rebentar com os portáteis Windows baratos
Há quem esteja a olhar para o MacBook Neo como um portátil fraco, limitado e demasiado comprometido para aquilo que custa. Mas essa análise falha num ponto essencial. Este portátil não foi criado para competir com o MacBook Air, nem com máquinas profissionais, nem com portáteis gaming.
Foi criado para entrar no segmento dos portáteis baratos, onde a Apple nunca conseguiu (ou não quis?) realmente meter o pé. E aqui, a conversa muda de figura.
Porque no lado Windows, os 699 euros normalmente dão acesso a um portátil com mais RAM, mais armazenamento e, às vezes, até um ecrã maior e de maior qualidade. Mas depois há sempre qualquer coisa que falha. Construção barata, webcam fraca, bateria medonha, ventoinhas irritantes, ecrã sem brilho, touchpad de brincar, ou aquele software todo instalado de fábrica que só atrapalha.
A Apple, ao contrário, decidiu fazer aquilo que sabe fazer melhor. Cortou onde quis cortar, mas manteve a experiência geral num nível muito acima da média. Aliás, o A18 Pro que dá vida a este portátil, e também dá vida ao iPhone 16 Pro, é mais rápido que o Apple M1 que ainda hoje é elogiado. Sim, o iPhone é mesmo rápido à sorte, nós é que não damos o devido valor.
Depois, além do SoC, corpo em alumínio, webcam 1080p, colunas decentes, trackpad em condições, boa autonomia e um design que continua a parecer premium mesmo sendo o portátil mais barato da marca.
A Microsoft pode não estar em pânico. Ainda. Mas devia olhar para isto com atenção
Claro que existe muito exagero à volta desta conversa. Dizer que a Microsoft está em pânico ou que o Windows acabou por causa de um portátil da Apple barato é parvo. A Microsoft vive muito mais do lado empresarial do que do lado do consumidor comum, e o ecossistema Windows continua a ser gigantesco.
Mas isso não significa que este lançamento não seja importante. Ou que não possa mudar o jogo.
Porque a Apple acabou de mostrar que consegue fazer um portátil barato, bonito e com uma experiência sólida, numa altura em que o lado Windows continua a tropeçar em preços estranhos, Snapdragon com compatibilidades duvidosas, e uma obsessão quase doentia com IA que pouca gente pediu.
Enquanto isso, a Apple lançou um portátil acessível que faz aquilo que um portátil tem de fazer. E isso, por incrível que pareça, hoje em dia já parece uma ideia revolucionária.








