Certamente já leste em algum fórum ou grupo de tecnologia que deves desativar o Arranque Rápido (Fast Startup) do Windows para poupar o teu SSD. A ideia por trás deste conselho é que, ao evitar as escritas diárias do estado do sistema, estás a prolongar a vida útil da tua unidade. Contudo, a verdade é que este pequeno ajuste de software é praticamente irrelevante quando comparado com o verdadeiro vilão que está a fritar os teus dados neste preciso momento. Mas então o que destrói o SSD mais depressa?
O mito que te faz perder tempo
Inegavelmente, o Arranque Rápido escreve dados no teu disco sempre que desligas o PC. Todavia, essas escritas são sequenciais e extremamente leves para os controladores modernos. Para um SSD atual de 1TB, o impacto destas operações na sua durabilidade total (TBW) é quase nulo. Portanto, se o teu objetivo é puramente salvar a saúde do hardware, desativar esta função não vai mudar praticamente nada no teu dia a dia.
Isto é que destrói o teu SSD: O Calor
Por outro lado, existe um fator que destrói a memória NAND do teu SSD de forma implacável: a temperatura. Infelizmente, muitos utilizadores ignoram que os SSDs NVMe modernos podem atingir temperaturas críticas em poucos minutos de uso intenso.
Quando o teu disco ultrapassa os 70°C ou 80°C, ocorrem duas coisas graves. Primeiramente, o sistema ativa o thermal throttling, o que torna o teu PC arrastado. Seguidamente, a nível físico, o calor excessivo facilita a fuga de eletrões nas células de memória, o que causa erros de bits e degradação permanente. Desse modo, um SSD que funcione constantemente “quente” vai morrer anos antes do que um que esteja bem refrigerado.
Outros perigos que deves vigiar
Além disso, existem outros erros comuns que pesam muito mais do que o arranque do Windows:
Andar com o disco a abarrotar: Se o teu SSD tiver mais de 90% de ocupação, ele perde a capacidade de gerir o desgaste das células de forma eficiente. Consequentemente, o hardware é forçado a reescrever dados com muito mais frequência.
Ignorar o Firmware: Muitos utilizadores nunca atualizam o software do fabricante. Ora, estas atualizações trazem quase sempre melhorias cruciais na gestão térmica e na correção de erros.
Como podes realmente proteger o teu SSD?
Em suma, se queres que o teu investimento dure muitos anos, foca-te no que realmente importa. Para começar, verifica se o teu SSD tem um dissipador de calor adequado, especialmente se for um modelo de alta performance. Adicionalmente, tenta manter sempre pelo menos 10% a 20% de espaço livre para que o controlador possa respirar.
Finalmente, lembra-te que o arranque rápido pode até causar alguns bugs chatos no Windows, mas não é ele que vai matar o teu disco. O calor e a falta de espaço são os teus verdadeiros inimigos.








