A guerra contra a IPTV pirata está longe de abrandar. Basta olhar para Espanha, onde Javier Tebas e a LaLiga lideram uma ofensiva agressiva contra transmissões ilegais de futebol. Mas, Espanha não está sozinha, na Grécia e em Itália também já se fala em multas diretas aos próprios utilizadores.
Mas há um detalhe incómodo. Apesar de bloqueios, denúncias e sanções, o consumo de IPTV ilegal continua a crescer. E segundo vários especialistas, a razão pode não ser falta de lei. Pode ser algo muito mais simples. Tu sabes qual é a resposta… É o preço dos serviços legais. E não só. A fragmentação também tem uma palavra a dizer.
Portugal adora IPTV pirata. Mas… 1.5 milhões de casas nos países nórdicos já usam este tipo de serviço. Com orgulho.
Os números mais recentes mostram que mais de 1.5 milhões de lares na Suécia, Dinamarca, Noruega e Finlândia têm acesso a serviços de IPTV pirata. Isto representa um aumento de cerca de 200.000 casas face à primavera de 2024. Em termos percentuais, estamos a falar de um crescimento anual de 16%.
Ou seja, o fenómeno não está a diminuir. Está a consolidar-se.
É cada vez mais normal. Mas há mais. Estima-se que os consumidores nórdicos gastem perto de 350 milhões de euros por ano em subscrições ilegais. É uma economia paralela, ilegal, mas extremamente relevante e lucrativa.
Futebol continua no topo da pirataria
Tal como seria de esperar, os conteúdos mais pirateados continuam a ser eventos desportivos em direto, especialmente futebol. Logo a seguir surgem séries e filmes populares.
O verdadeiro problema é o preço
Mesmo em países com economias fortes como Suécia ou Dinamarca, o fator preço continua a ser determinante.
Hoje, para ter acesso a uma oferta minimamente completa de entretenimento, um consumidor pode precisar de várias plataformas em simultâneo. Streaming de séries. Streaming de filmes. Plataforma para futebol. Plataforma para outro desporto. E assim sucessivamente.
O resultado? Centenas de euros por mês, em alguns casos. É muito dinheiro, e por vezes não faz sentido gastar tanto quando nem há tempo para ver tudo.
Os especialistas chamam-lhe fragmentação de conteúdo. Mas há outro ponto ainda mais sensível: perceção de valor. Por isso, quando a alternativa ilegal oferece tudo num único pacote, por um valor muito inferior, a decisão torna-se tentadora.
Multas resolvem… ou agravam?
A estratégia atual passa por repressão. Ou melhor, bloqueios de IP, pressão judicial, multas e até incentivos à denúncia. Mas os dados sugerem que a dinâmica não está a inverter. Está tudo atrás de quem não cumpre, mas ninguém tenta resolver o porquê de as pessoas não cumprirem. O problema está aqui. E enquanto isso não mudar, a pirataria não vai acabar.








