O mercado de smartphones pode estar prestes a levar um murro no estômago. E não é pequeno. E talvez mais importante que isso, nem é bem culpa das fabricantes. Ou seja, segundo a IDC, as vendas globais deverão cair quase 13% em 2026, muito por culpa da crise de memória que está a rebentar com os custos de produção em praticamente toda a indústria tecnológica.
Smartphones enviados para as lojas? Vão cair para 1.1 mil milhões de unidades. Porquê? Simples! Não se vão vender.
Portanto, a nova previsão aponta para cerca de 1.1 mil milhões de smartphones enviados em 2026, abaixo dos 1.26 mil milhões registados em 2025. É uma revisão brutal face à estimativa feita em novembro do ano passado, onde a própria IDC falava numa descida entre 0.9% e 5.2% no pior cenário. Agora estamos a falar de 12.9%.
O motivo? Memória.
A culpa é da memória. E da IA.
Os preços da memória RAM e NAND dispararam nos últimos meses, muito por causa da procura insana vinda dos data centers focados em Inteligência Artificial. E como já vimos noutros setores, quando os componentes sobem, alguém paga. E normalmente é o consumidor. Ou não… Porque o consumidor nem sempre está disposto a pagar.
Os smartphones baratos podem desaparecer!
A IDC deixa um aviso sério. O segmento de entrada pode ficar permanentemente inviável.
Ou seja, com margens já muito apertadas, as marcas têm pouca margem para absorver aumentos de custos. Se esses custos forem passados para o consumidor, os preços sobem. Se não forem, o produto deixa de ser sustentável.
Assim, a previsão é que o preço médio de venda suba 14%, chegando aos 523 dólares em 2026.
Mais grave ainda, o segmento abaixo dos 100 dólares pode tornar-se “permanentemente não económico”. Traduzindo, os smartphones ultra baratos podem simplesmente desaparecer do mercado.
Apple e Samsung podem sair ainda mais fortes
As marcas pequenas deverão sofrer mais. Já gigantes como Apple e Samsung estão melhor posicionadas para absorver o choque. Segundo a própria IDC, estas duas podem não só aguentar a tempestade, como até ganhar quota de mercado à medida que o cenário competitivo aperta.
Ou seja, menos concorrência, mais concentração nas marcas que os consumidores conhecem.
Em suma, o que significa isto na prática?
Preços mais altos. O que por sua vez se traduz em menos vendas. Entretanto, talvez pior que tudo isto, os smartphones bons, bonitos e baratos… vão entrar em vias de extinção.
No meio de tudo isto, a pergunta é simples. Se os smartphones baratos desaparecerem, o que acontece aos mercados onde são a única opção viável?








