Durante alguns meses falou-se naquilo que poderia ser uma crise temporária. Algo que iria afetar o final de 2025 e, com sorte, parte de 2026. Mas a realidade pode ser bem mais dura que a esperada ou desejada. Infelizmente, apesar de não fazer grande sentido na cabeça dos consumidores, a escassez de RAM e armazenamento pode durar vários anos. E aqui não estamos a falar apenas de preços altos. Estamos a falar de impacto sério no mercado tecnológico, especialmente no segmento de consumo.
Crise da memória vai durar anos. Estás pronto?
A culpa é da IA? Sim, é. Mas aqui que o consumidor fica a apanhar bonés.
O fenómeno da IA não começou agora. Nem sequer começou no ano passado. Estamos a falar de algo que já chegou ao mercado há vários anos, e que sim, está a aumentar de escala de uma forma extremamente agressiva. Ainda assim, não explica, por si só, o que está a acontecer na indústria.
Quem anda a produzir RAM, e de facto são 3 ou 4 grandes fabricantes a tomar conta do mercado global, foi muito inteligente para inflacionar as suas margens de lucro em cada produto vendido. Ou seja, algumas fabricantes meteram um travão na expansão das linhas de produção, enquanto outras até baixaram o ritmo de produção, de forma a criar um efeito de escassez um pouco falso no mercado.
Acredito que a ideia não era, de todo, chegar a este nível. Mas é exatamente isso que aconteceu. O mercado está no caos, e tão cedo não vai melhorar.
Aliás, não é por acaso que o armazenamento não encareceu da mesma forma. As fabricantes de memória NAND Flash andavam a implementar a mesma estratégia, aos poucos, não da mesma exata maneira, mas com o mesmo objetivo.
Em suma, os preços estão a aumentar a um ritmo absurdo, e de facto, já existem produtos com stock intermitente, enquanto alguns lançamentos estão a ser adiados ou até cancelados.
Pode durar até 2030
Segundo declarações recentes do CEO da Phison, K.S. Pua, o problema pode prolongar-se por vários anos. Não apenas até ao final de 2026, como muitos acreditavam, mas possivelmente até perto de 2030.
O mais preocupante? A procura empresarial ainda não está totalmente refletida nos números atuais. Ou seja, o pior pode ainda estar para vir. Se as grandes empresas continuarem a monopolizar produção de memória para alimentar infraestruturas de IA, o consumidor vai continuar a pagar a diferença.
Segmento de consumo pode encolher
Aqui é que a coisa fica mais séria.
Há previsões de que várias marcas focadas em produtos de gama baixa possam simplesmente desaparecer. Se não conseguirem garantir fornecimento de RAM e armazenamento a preços sustentáveis, deixam de ser competitivas, e como tal, desistem do mercado.
As marcas maiores podem aguentar margens apertadas durante algum tempo. As mais pequenas não.
Isto pode significar menos concorrência, menos opções e, inevitavelmente, preços mais altos durante mais tempo.
O que esperar nos próximos anos?
- Preços instáveis.
- Lançamentos adiados.
- Stocks limitados.
- E menos marcas no mercado.
A tecnologia sempre viveu de ciclos. Mas este ciclo pode ser diferente. Pode vir a mudar todo o mercado como o conhecemos. Um mercado onde o consumidor final deixa de ser prioridade, para ser apenas um suplemento sem grande importância.







