Durante anos ouvimos que a inteligência artificial ia afetar empregos “normais” do nosso dia-a-dia. Atendimento ao cliente, programação básica, design simples, tradução automática, etc… Sempre houve aquela ideia confortável de que as indústrias criativas de topo, como Hollywood, estariam relativamente protegidas. Afinal, talento é talento, certo?
Uma máquina nunca poderia oferecer aquilo que um ator de topo traz para cima da mesa. Pois, se calhar não vai ser bem assim.
Nem Hollywood se vai safar? Isto é tudo super estranho!
Como deves saber se andas atento às redes sociais, a ByteDance lançou o Seedance 2.0, um gerador de vídeo capaz de criar clips de 15 segundos com um realismo que começa a ser, acima de tudo, muito desconfortável.
Aliás, bastou um vídeo viral com versões geradas por IA de Tom Cruise e Brad Pitt para o pânico se instalar.
É que já não estamos a falar de algo tosco ou claramente falso. Estamos a falar de algo que, à primeira vista, podia perfeitamente ser um teaser de um grande estúdio. Sim, ainda se nota que é IA quando se olha com muita atenção. Mas está muito perto da perfeição! Estamos a falar de uma evolução de 3 ou 4 anos. O que levanta a questão, como será daqui a outros 3 ou 4? A questão é mesmo essa.
Se a IA for capaz de criar filmes sozinha, nunca mais vais ver outros atores? Vamos ficar presos ao que já conhecemos?
Há aqui uma coisa muito curiosa. Caso não saibas, alguns atores já começaram a vender a sua imagem a empresas focadas em IA. O que é extremamente inteligente, visto que vão continuar a receber dinheiro apenas e só pela sua imagem.
Vai ser possível encontrar Tom Cruise com 40 anos no grande ecrã, quando na realidade o ator já poderá ter uns 80 ou mais anos.
Mas, isto também significa que, se a moda pegar, nunca mais vamos ver novos atores em filmes ou séries. Vai ser tudo gerado a partir da imagem de quem já conhecemos, e que está agora a tentar negociar os seus direitos de imagem.
Consegues imaginar ver Samuel L. Jackson, num qualquer filme acabadinho de lançar, no ano de 2056, quando o ator já não está entre nós? É isto que vai acontecer. O que é… Muito estranho, e acaba por matar uma indústria que sempre foi capaz de equilibrar talento antigo com sangue novo.
Os argumentistas também começam a tremer
Rhett Reese, argumentista de Deadpool e Zombieland, reagiu de forma direta: “It’s likely over for us.”
Pode soar dramático. Mas vindo de alguém profundamente integrado na máquina de Hollywood, não é apenas um comentário para ganhar likes. Afinal de contas, o que está em causa não é só a geração de vídeos. É a capacidade de recriar atores, ambientes, estilos cinematográficos e, eventualmente, narrativas completas com um custo infinitamente inferior ao de uma produção tradicional.
Afinal de contas, se um estúdio consegue gerar cenas hiper-realistas sem contratar elenco, equipa técnica, equipas de efeitos especiais e semanas de rodagem, a tentação é óbvia.
A grande pergunta
Nem Hollywood se vai safar?
Talvez se adapte. Talvez abrace a tecnologia e a transforme numa aliada. Aliás, talvez veja nascer um novo modelo onde atores e criadores licenciam a sua imagem e voz como ativos digitais.
Mas uma coisa parece clara: a ideia de que as indústrias criativas de topo estavam imunes à automação caiu por terra.







