Se tinhas esperança que a loucura dos preços fosse abrandar em 2026, más notícias. As coisas vão piorar em todos os campos, porque o problema está no lado da produção. Sim, muito se tem vindo a falar da memória, mas isto já está a chegar a todo o lado. À memória, ao armazenamento, e também a tudo aquilo que sai das linhas de TSMC, especialmente agora, que tudo se prepara para dar as boas vindas aos chips de 2nm.
Como é sempre a habitual história… Montar um PC Gaming está cada vez mais caro. A questão aqui é… Quanto mais caro?
Hoje vamos focar-nos nas placas gráficas da AMD, NVIDIA e Intel. Onde um levantamento feito entre novembro de 2025 e fevereiro de 2026, em 10 regiões diferentes, mostra que os preços médios das GPUs subiram cerca de 15% em apenas três meses.
Curioso, porque é uma tendência que aparece contra a corrente. Em novembro, a maioria estava ao preço recomendado. Hoje, já não está.
Nvidia: aumentos agressivos, especialmente no topo
A série RTX 50 da Nvidia subiu, em média, 19%. Mas a subida não foi igual para todos os modelos.
As RTX 5050 e 5060 aumentaram pouco, entre 3% e 13%, dependendo do país. Já as RTX 5060 Ti, sobretudo a versão de 16GB, dispararam. Em alguns mercados, a subida ultrapassa os 30%, com casos extremos acima de 40%.
O pior caso é a RTX 5070 Ti. Está, em média, 25% mais cara do que em novembro, o que representa quase 200 dólares extra em muitos mercados. A explicação parece ser menos sobre o custo da memória e mais sobre cortes de produção. A Nvidia terá reduzido significativamente o fornecimento deste modelo.
No topo da gama, a situação é ainda mais surreal.
A RTX 5080 subiu cerca de 25% e a RTX 5090 está mais de 30% acima do que custava há três meses. Em termos práticos, uma 5090 pode custar hoje mais 800 dólares do que em novembro.
Resultado? Em novembro, 1.000 dólares compravam uma RTX 5080. Em fevereiro, os mesmos 1.000 dólares mal chegam para uma RTX 5070 Ti.
AMD: aumentos mais controlados
Do lado da AMD, os aumentos existem, mas são mais moderados.
A série RX 9000 subiu, em média, 10%. Modelos como a RX 9060 XT e a RX 9070 tiveram aumentos na ordem dos 40 a 50 dólares nas versões de 16GB, o que sugere que o impacto está mais ligado ao custo da memória do que a decisões estratégicas de limitação de oferta.
Comparando diretamente com a Nvidia, as Radeon parecem ter mantido uma postura mais estável no fornecimento. Não há sinais de cortes drásticos que estejam a empurrar artificialmente os preços para cima.
Intel: a menos afetada
As Intel Arc foram as menos penalizadas. Em alguns mercados, há até quedas de preço. A média de subida ronda os 10% a 11%, mas com muita variação regional.
Não é que estejam baratas. Mas não sofreram o mesmo choque que vimos na gama alta da Nvidia.
A curiosidade!
Curiosamente, apesar de tudo, as GPUs ainda não dispararam tanto quanto outros componentes. DDR5 subiu cerca de 40% no mesmo período. SSDs ultrapassaram os 70%.
As gráficas subiram 15% em média, o que não é pouco, mas também não é o caos absoluto que se vê noutros segmentos.
Ainda assim, há um problema maior no horizonte. Grande parte do stock atual foi produzido antes das últimas subidas de memória. Quando esse stock acabar, as novas unidades podem chegar às lojas com preços ainda mais elevados.
Vale a pena esperar?
Esta é a pergunta difícil. Há três meses, os preços estavam claramente melhores. Hoje estão piores. Daqui a três meses podem estar ainda mais altos.
Se não tens urgência, talvez valha a pena observar o mercado. Mas se estás mesmo a precisar de uma gráfica, não há garantias de que esperar vá trazer boas notícias.
A era das GPUs a preço “normal” voltou a ser uma memória distante.









