A Fórmula 1 é o pináculo do desporto automóvel. Qualquer piloto que chegue a este escalão, chega ao topo da sua carreira. Ou seja, mesmo que fique em último em todas as corridas, esse piloto considerado um dos melhores pilotos do planeta. É estranho, mas é verdade.
Porém, ser o pináculo não significa que a velocidade de ponta seja a coisa mais importante de sempre. Aliás, com as novas regras a mostrarem o que valem no primeiro teste da época, fica a ideia de que as coisas mudaram, possivelmente para pior. Pelo menos aos olhos de alguns dos pilotos mais consagrados do desporto.
Fórmula 1: A velocidade perdeu importância?
Portanto, antes de mais nada, é preciso meter algum contexto para cima deste artigo. Os carros de fórmula 1 são os mais rápidos do mundo a percorrer um circuito. Porém, não têm obrigatoriamente de serem os mais rápidos numa linha reta.
Aliás, até o mais rápido dos monovolumes vai ter dificuldades, em linha reta, contra veículos de outras modalidades, ou até de super ou hiper carros. A grande vantagem de um F1 está na sua aerodinâmica, que lhe permite fazer curvas a velocidades muito superiores ao que seria considerado o normal pelo mais comum dos mortais.
Então onde está o problema?
Devido ao novo foco na eletrificação dentro das novas regras para 2026, a potência de um F1 está agora dividida em 50% para o motor a combustão e 50% para a motorização elétrica. Mas… A parte elétrica precisa de energia para funcionar em pleno, e ao que tudo indica, em vários circuitos, não vai ser possível ter energia para fazer uma volta a fundo.
Ou seja, os pilotos vão ter de gerir onde carregar e onde gastar a bateria que têm disponível.
O que significa isto na prática? Os pilotos vão ter de levantar o pé várias vezes, para garantir que conseguem retirar o máximo de performance do carro, nas zonas da pista onde é possível ganhar mais tempo.
É… Na opinião de muitos pilotos e especialistas, uma coisa muito feia para o desporto.
Alonso: “Até o chef pode conduzir isto”
Fernando Alonso deixou uma daquelas frases que parecem piada, mas têm veneno lá dentro. Segundo o espanhol, os carros atuais estão tão diferentes que “até o chef da equipa poderia fazer algumas curvas”.
Exagero? Claro. Mas deixa bastante vincada a opinião do veterano.
Além disso, facilmente passa a ideia de que os carros estão mais lentos em certos cenários. Não necessariamente no tempo por volta puro, mas na forma como entregam performance. Infelizmente para muitos, a gestão de energia passou a ser palavra-chave.
Verstappen compara… e a Fórmula E reage
Max Verstappen já tinha deixado no ar que estas novas regras aproximam demasiado a F1 da Fórmula E. Gestão de energia, lifting and coasting, preocupação constante com deployment.
Claro que, Jeff Dodds, CEO da Fórmula E, não perdeu tempo a reagir a também mandar a sua laracha.
Mas… Isto é um problema grave. Afinal de contas, se a Fórmula 1 começa a ser comparada à Fórmula E no que toca a gestão energética, então algo mudou profundamente. A F1 sempre foi vista como a categoria onde a potência bruta e a velocidade extrema estavam acima de tudo.
Agora já não é tão simples.
Então… a velocidade perdeu importância?
Não totalmente. Mas deixou de ser o único fator dominante.
Hoje a F1 é sobre eficiência, energia, sustentabilidade, equilíbrio regulatório e espetáculo controlado. A potência está limitada. A agressividade é calculada.
Isto é necessariamente mau? Não. Talvez? Bem… Ninguém sabe.
É diferente, e isso pode ser bom.
Mas, a Fórmula 1 nasceu para ser brutalmente rápida. Para ser excessiva. Para estar no limite técnico e humano. Assim, se começa a ser mais sobre gestão do que sobre ataque, mais sobre algoritmo do que instinto… talvez a pergunta faça sentido.







