Caso não saibas, a Lenovo apresentou resultados do terceiro trimestre fiscal de 2025/26 e a mensagem é de facto muito interessante. Crescimento forte, lucros a acelerar e a Inteligência Artificial a assumir o papel principal.
Ou seja, numa altura em que os chips de memória valem ouro, e existem cada vez mais dúvidas à volta da IA, ao ponto de a NVIDIA ser obrigada a meter 20 mil milhões de euros na OpenAI para garantir que esta “não cai”, eis que vemos uma Lenovo cheia de músculo.
Lenovo já faz receitas com IA, mesmo no meio da crise!
Portanto, a empresa fechou o trimestre com receitas recorde de 22.2 mil milhões de dólares. Isto representa um crescimento de 18% face ao mesmo período do ano passado. Ainda mais interessante, todas as áreas de negócio cresceram a dois dígitos.
O lucro líquido ajustado subiu 36% para 589 milhões de dólares, com a margem a melhorar para 2.7%. Não é apenas crescer por crescer. Há mais rentabilidade.
Mas o verdadeiro destaque é outro.
A IA já representa quase um terço do negócio!
A receita ligada a Inteligência Artificial cresceu 72% ano contra ano e já representa 32% do total do grupo.
Aqui estamos a falar de dispositivos com IA, infraestruturas, serviços e soluções. A Lenovo está claramente a posicionar-se como uma empresa “AI-first”, não apenas como fabricante de PCs.
E, pelo menos pro aqui, isto não é conversa de marketing.
O crescimento veio de vários lados:
- Liderança reforçada em PCs e Smart Devices
- Volume recorde em smartphones Motorola
- Receitas históricas no grupo de infraestruturas
- Serviços e soluções a crescer de forma consistente
A IA deixou de ser aposta futura. É motor de crescimento atual.
Reestruturação estratégica para acelerar ainda mais
A empresa fez uma reestruturação na divisão de Infraestrutura, o ISG. Isso trouxe encargos únicos de 285 milhões de dólares neste trimestre.
Mas a ideia é cortar custos, simplificar portfólio e reforçar a organização comercial. A Lenovo espera poupar mais de 200 milhões de dólares por ano ao longo dos próximos três anos.
Basicamente, está a sacrificar margem agora para ganhar eficiência estrutural no futuro.
PCs continuam a ser o pilar!
O grupo de dispositivos inteligentes, onde entram PCs e smartphones, cresceu 14% para 15.8 mil milhões de dólares.
Os PCs cresceram 17% e superaram o mercado pelo décimo trimestre consecutivo.
A quota anual de mercado atingiu 24.9%, a mais alta da história da empresa. No trimestre, chegou aos 25.2%. A Lenovo continua a ser a única fabricante que alguma vez ultrapassou os 25% de quota global em PCs.
É um quase domínio.
Motorola também bate recordes!
A Motorola teve volume e ativações recorde no trimestre, o que é uma excelente notícia para uma fabricante que começa finalmente a ganhar alguma força no seu regresso.
Então qual é a leitura disto tudo?
A Lenovo não está apenas a vender PCs. No final do dia, está a transformar-se numa empresa de infraestrutura, serviços e IA, com crescimento equilibrado entre hardware tradicional e soluções empresariais.
Os números são fortes e a execução parece consistente.
Em suma, a pergunta agora é simples. A aposta massiva em IA vai continuar a gerar crescimento a este ritmo? Ou estamos apenas no pico do entusiasmo?
Difícil dizer, porque tudo indica que nem todas as marcas vão conseguir retirar sucesso da IA. Mas… Uma coisa é certa. Neste momento, a Lenovo está a executar melhor do que muitos esperavam.









