A entrada da DIGI em Portugal foi acompanhada de uma enorme expectativa, especialmente pela promessa de preços competitivos e uma infraestrutura moderna de fibra ótica. No entanto, para muitos clientes da DIGI na zona do Porto, a experiência está a transformar-se num verdadeiro pesadelo tecnológico. Nos últimos dias, multiplicaram-se as queixas de quem está sem qualquer acesso à internet fixa há mais de 72 horas, sem que a operadora apresente uma solução concreta. Adicionalmente, o problema parece ganhar contornos mais graves devido à forma como a empresa está a gerir as reclamações dos seus subscritores.
DIGI no Porto: Um suporte técnico que deixa os clientes às escuras
Quando a internet falha, o primeiro passo de qualquer utilizador é contactar o apoio ao cliente. Contudo, os relatos que chegam de quem tentou obter respostas são desanimadores. Em vez de explicações técnicas sobre a falha na rede de fibra ou previsões reais de reparação, os clientes têm sido confrontados com uma falta de profissionalismo preocupante.
Nesse sentido, há relatos de utilizadores que, ao questionarem sobre a data de reposição do serviço, receberam respostas vagas e informais, onde o assistente apenas manifestava o desejo de que a situação ficasse resolvida no próprio dia. Por outro lado, a ausência de compromissos com prazos e a falta de atualizações proativas por parte da DIGI estão a criar um clima de enorme frustração. Além disso, para quem depende da internet para trabalhar ou estudar, este silêncio institucional é inaceitável.
O risco da fidelização inexistente
Um dos grandes trunfos da DIGI no mercado nacional é a oferta de períodos de fidelização muito curtos ou inexistentes. Esta estratégia, que visava atrair clientes insatisfeitos com os grandes operadores, pode agora virar-se contra a própria empresa.
Uma vez que a barreira de saída é muito baixa, muitos utilizadores no Porto já admitem que não vão esperar muito mais tempo. Se o serviço de internet fixa não garantir estabilidade e se o atendimento continuar a ser visto como ridículo, a debandada para a concorrência será inevitável. Afinal, de que serve ter uma mensalidade mais barata se a ligação falha durante vários dias seguidos e ninguém sabe explicar porquê?
Falta de transparência na infraestrutura de fibra
Embora as falhas técnicas possam acontecer a qualquer operador, a gestão da crise é o que define a confiança na marca. No Porto, a sensação geral é de que a infraestrutura ainda não está a conseguir dar resposta à procura ou que existem problemas graves na instalação da rede fixa que a operadora prefere não detalhar.
Em suma, a DIGI enfrenta agora o seu primeiro grande teste de fogo na Invicta. Se não houver uma comunicação clara e uma resolução rápida para este apagão de internet, a nova operadora corre o risco de ficar marcada pela falta de fiabilidade antes mesmo de completar os primeiros meses de operação plena.
O Coração do Problema: A Central da Maia
De acordo com informações partilhadas por utilizadores em fóruns como o Reddit e o ZWAME, a causa principal da falha prolongada no Porto parece estar localizada na central principal da Maia. Como a rede da DIGI ainda está em fase de expansão, esta central ainda não dispõe de sistemas de redundância (backup) totalmente operacionais. Por esse motivo, qualquer anomalia técnica nesta infraestrutura tem um efeito de contágio em toda a área metropolitana.
A passagem da Depressão Kristin pelo país no final de janeiro e início de fevereiro também não ajudou, provocando danos em infraestruturas de várias operadoras, o que sobrecarregou as equipas de intervenção técnica que trabalham agora 24 horas por dia para repor os serviços.
Análise por Zonas: Onde o serviço está a falhar?
Embora o problema seja descrito como generalizado, a experiência varia conforme a localização:
Matosinhos: É uma das zonas com maior instabilidade. Existem relatos de serviço que regressa durante curtos períodos de tempo (10 a 20 minutos) para voltar a cair logo de seguida. Isto indica que os técnicos estão a tentar sincronizar as células, mas a ligação ainda não está estável.
Porto Central (Baixa e arredores): A maioria das queixas de “3 dias sem serviço” vem desta zona. Aqui, a falha parece ser total na fibra doméstica, embora a rede móvel (5G/4G) tenha demonstrado maior resiliência em alguns pontos.
Maia e arredores: Por ser o local da falha técnica central, a instabilidade é severa. No entanto, é também onde se espera que a luz verde surja primeiro assim que a reparação for concluída.







