HP quer transformar portáteis gaming numa subscrição mensal. Faz sentido?
É uma pergunta interessante, especialmente para quem trabalha a sério no portátil do dia-a-dia, ou quer ter o máximo de performance possível. Ou seja, como comprar um bom portátil é cada vez mais caro, uma tendência que não se deverá inverter num futuro próximo, a HP decidiu experimentar algo diferente.
O quê? Simples, em vez de vender, aluga.
Queres um portátil por subscrição? A HP vai ter essa solução.
A ideia é bastante simples. Ou seja, pagas uma mensalidade fixa, usas um HP Victus ou Omen durante um ano, depois trocas por um modelo mais recente, estás sempre bem servido, mas nunca és realmente dono da máquina.
É quase como a Netflix. Só que em vez de séries e filmes, tens um portátil novo todos os anos.
A grande diferença é que vais pagar todos os meses a mesma quantia, por uma máquina que nunca é realmente tua. Isto significa que quando trocas, não podes vender o antigo para comprar o novo. Entregas o antigo, e recebes o novo, com a mesma mensalidade de sempre.
Em suma, nunca há momento em que o portátil passa a ser teu, mesmo que já tenhas pago o equivalente ao valor total de mercado.
A ideia da HP também passa pelo facto de o hardware precisar de evoluir mais rapidamente nos tempos que correm. A Inteligência Artificial vai pesar cada vez mais, e ninguém vai querer gastar 3000 ou 4000 euros num portátil novo todos os anos, ou de 2 em 2 anos.
Pode fazer sentido ter sempre algo atual.
Quanto custa?
Isto ainda não existe por cá. Mas, no mercado Norte-Americano, um Victus 15 com Ryzen 7 e RTX 4050, custa 50 dólares por mês. Entretanto, em promoção, a mesma máquina pode ser comprada por cerca de 950 dólares. Ou seja, em 19 meses já pagaste o equivalente ao preço em desconto.
Entretanto, no topo da gama, um Omen Max 16 com Core Ultra 9 e RTX 5080 custa 130 dólares por mês. O mesmo modelo anda na casa dos 2.100 dólares. Em pouco mais de 16 meses, já atinges o valor de compra em promoção.
E repete-se o padrão nos modelos intermédios com RTX 5070 ou 5060. Ao fim de cerca de 18 meses, já pagaste o que custaria comprar a máquina. Só que não tens nada em teu nome.
E se quiseres sair?
Aqui começa a parte menos simpática.
Nos primeiros 30 dias, podes cancelar sem custos. Depois disso, as penalizações são pesadas. Cancelar no segundo mês pode custar centenas ou até mais de mil dólares, dependendo do modelo, e ainda tens de devolver o portátil.
Só ao fim de 12 meses é que a saída passa a ser gratuita. O que, claro, incentiva a ficar pelo menos um ano dentro do sistema.
É o futuro ou um exagero?
A HP está a apostar que os gamers vão começar a encarar hardware como um serviço, tal como já fazem com streaming, cloud gaming ou até smartphones em regime de prestação.
Mas há uma diferença importante. Um portátil comprado continua a ter valor de revenda. Pode durar três, quatro ou cinco anos. Pode ser usado para outras tarefas quando já não aguenta os jogos mais recentes.
A pergunta é simples.
Preferes pagar tudo de uma vez e ser dono do teu portátil, ou entrar num ciclo infinito de mensalidades para ter sempre o modelo mais recente?







