Em Portugal, apesar do facto de ser uma região que adora consumir tecnologia, foi sempre muito normal ver as pessoas a andar com o mesmo smartphone durante uma série de anos. Ainda é, e de facto, é uma tendência que não se vai inverter. Aliás, podemos ver muitos aparelhos topo-de-gama na rua, mas muitos deles até foram comprados em lojas especializadas em recondicionados.
Algo completamente natural, tal é o rendimento médio de um Português.
Mas, lá fora, durante quase duas décadas, a regra foi… Trocar! Todos os anos há novos modelos do iPhone, Galaxy, Pixel, etc… E por isso, existia sempre quem quisesse dar o salto para o mais recente grito tecnológico. Aliás, não é por acaso que a Apple, bem como a esmagadora maioria do ecossistema Android, anda a lançar novas gerações de dispositivos todos os anos desde 2007.
Pois… Mas isto já não faz grande sentido. Curiosamente, não faz para os consumidores, mas também há quem diga que começa a não fazer para as fabricantes.
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Para os fabricantes, o ciclo anual continua a ser regra, e em alguns casos, ouro puro!
Pode parecer estranho, mas enquanto houver uma fatia relevante de consumidores disposta a atualizar todos os anos, as marcas não vão parar. É receita previsível, marketing constante e presença mediática garantida. Isto é especialmente verdade para fabricantes como a Apple, Samsung e Xiaomi, que vendem milhões de unidades todos os anos.
Aliás, apesar do facto de a geração iPhone 17 não mudar nada por aí além, a não ser algumas coisas estéticas na traseira, a realidade é que venderam, e continuam a vender, que nem pãezinhos quentes.
Mesmo que o entusiasmo já não seja o mesmo de antigamente, o modelo de negócio continua a funcionar. Ou seja, se 20% dos utilizadores atualizam anualmente, estamos a falar de dezenas de milhões de unidades vendidas todos os anos só por causa do ciclo.
Para o utilizador comum, já não faz grande sentido. Há vários anos.

A realidade mudou. É tão simples quanto isso.
Hoje em dia, os smartphones recebem cinco, seis ou até sete anos de atualizações. A construção é muito mais resistente. Vidros mais fortes, melhor proteção contra água e pó, baterias mais duráveis. Um topo de gama aguenta vários anos com um nível de performance muito satisfatório.
Aliás, se fores honesto contigo próprio… O teu smartphone de há dois anos está assim tão limitado? Ou faz basicamente tudo o que precisas?
O problema é que tudo aquilo que é considerado “novidade”, não é nada de revolucionário. Os tempos dos ecrãs a ocupar mais espaço do corpo do smartphone, dos sensores de impressão digital, reconhecimento facial 3D, acréscimo de lentes ao módulo de câmaras, é chão que já deu uva. Até as melhorias de performance, acabam por ser insignificantes quando o modelo de há 3 anos continua a abrir tudo sem qualquer problema.
No final do dia, mais 5% de performance, mais um modo de câmara, mais uma função de IA. O impacto real no dia a dia é cada vez mais reduzido.
Aliás, o interesse dos consumidores nos eventos de lançamento das marcas é cada vez mais… Meh. É tudo mais do mesmo.
Vamos ver fabricantes a abandonar este modelo?
Algumas já o fazem. Como é o caso da Nothing, que já confirmou não lançar um novo topo-de-gama em 2026.
Pode parecer estranho, mas acaba por fazer todo o sentido. Lançar algo todos os anos, quando é exatamente igual ao ano passado, só porque sim, faz muito pouco sentido. Especialmente quando não tens o volume de negócio de uma Apple.
Aliás, a própria Google pode sofrer com isto em 2026. Afinal de contas, o Pixel 10a não é mais que um Pixel 9a com alguma maquilhagem em cima.
A única forma de isto continuar a compensar é com um mercado mais irreverente. Mais formatos, mais ideias diferentes. Dobráveis verdadeiramente maduros. Smartphones compactos com hardware de topo. Novos sistemas operativos alternativos. Se alguém quebrar o padrão, tudo é possível.
Mas isso não vai acontecer amanhã.
Então… está morto ou não?
Está estranho.
O ciclo anual já não é necessário para o consumidor médio. Mas continua a ser extremamente útil para as marcas.
A diferença é que, hoje, atualizar todos os anos é uma escolha emocional e não uma necessidade técnica. E enquanto houver quem queira sempre o mais recente, o calendário não vai mudar. A verdadeira questão é outra. Tu ainda sentes vontade de trocar todos os anos… ou já percebeste que não vale a pena?







