Já alguma vez deste por ti a fazer scroll infinito no Instagram ou a saltar de vídeo em vídeo no YouTube sem perceberes como passou uma hora?. Pois bem, esta semana arrancou um julgamento num tribunal da Califórnia que pode mudar completamente a forma como olhamos para estas plataformas. O caso, que corre no Tribunal Superior de Los Angeles, coloca a Meta e a Google sob fogo cruzado, com acusações de que desenharam deliberadamente os seus produtos para serem viciantes e prejudiciais, especialmente para os mais jovens. Mas será que o Instagram e o YouTube chegaram para te viciar?
Instagram e YouTube feitos para viciar? A arquitetura da dependência
Durante as primeiras sessões, os advogados da acusação argumentaram que o problema não reside apenas em conteúdos isolados, mas sim na própria estrutura das redes sociais. Segundo os queixosos, o Instagram e o YouTube funcionam como autênticas máquinas de vício, onde cada funcionalidade foi pensada para captar a tua atenção e garantir o regresso de forma compulsiva.
Além disso, foram apontadas ferramentas específicas que exploram vulnerabilidades psicológicas, tais como:
- Scroll infinito: que elimina barreiras naturais ao consumo de informação.
- Recomendações por algoritmo: personalizadas para te manter ligado o máximo de tempo possível.
- Reprodução automática: que remove a decisão consciente de ver o vídeo seguinte.
- Feedback social constante: através de gostos e visualizações, criando uma necessidade de validação.
Consequentemente, estas técnicas comparam-se às utilizadas na indústria do jogo. Ou seja, o objetivo principal é maximizar o tempo de utilização, ignorando potenciais danos para o bem-estar do utilizador.
O impacto na saúde mental dos jovens
O processo foca-se bastante numa jovem identificada como K.G.M., que começou a usar estas plataformas ainda em criança. De acordo com a acusação, a exposição precoce a este design viciante perturbou o seu desenvolvimento emocional, levando a quadros graves de ansiedade, depressão e pensamentos suicidas.
Por outro lado, a Meta e a Google negam categoricamente estas alegações. As gigantes tecnológicas defendem que os problemas de saúde mental resultam de uma combinação complexa de fatores sociais e familiares. Ou seja não apenas do uso de apps. Adicionalmente, as empresas destacam que introduziram várias ferramentas de controlo parental e medidas de segurança ao longo dos anos para proteger os utilizadores mais novos.
O que isto significa para o futuro da tecnologia
Portanto, este julgamento está a ser acompanhado com muita atenção. Tudo porque foca-se na responsabilidade do design do produto e não apenas no conteúdo publicado. Tradicionalmente, as empresas tecnológicas têm estado protegidas de responsabilidade pelo que os utilizadores publicam, mas este caso tenta provar que a própria construção da app é um produto defeituoso ou perigoso.
Em suma, se o veredito for favorável à acusação, poderemos assistir a uma vaga de novos processos. Também a uma pressão sem precedentes para que os legisladores regulamentem a forma como estas plataformas são desenhadas. Por agora, resta-nos aguardar para ver se a justiça considerará estas apps como ferramentas neutras ou como mecanismos de engenharia psicológica.








