Porque é que as TVs OLED continuam tão caras?

Quem anda atento às promoções já reparou, as TVs OLED estão muito mais acessíveis nos dias que correm, porem, continuam muito caras face às outras tecnologias mais “mundanas”. Ou seja, mas mesmo com descontos, continuam quase sempre bem mais caras do que as LCD. Além disso, quanto maior o tamanho, pior fica a coisa.

Isto não é coincidência. Há razões bem concretas para isso.

Fazer OLED ainda é difícil. E caro

Produzir um painel OLED não é nem de perto nem de longe comparável a produzir um LCD. O processo é mais complexo, exige equipamento de alta precisão e tem um problema grande pelo meio chamado taxa de aproveitamento.

Em termos simples, nem todos os painéis que saem da linha de produção ficam bons. Um erro pequeno num OLED grande e o painel vai para o lixo.

Para teres uma ideia, um painel OLED de 65 polegadas custava cerca de 1.000 dólares a fabricar em 2020. Em 2024, esse valor desceu para perto dos 600 dólares. Hoje em dia, em 2026, já deverá andar à volta dos 400 dólares. Parece uma boa queda, mas compara isso com uma TV LCD de 65 polegadas que hoje compras por menos de 500 euros já montada, com margem incluída.

Mesmo marcas como a Samsung e a LG Display só conseguiram reduzir custos quando melhoraram a taxa de painéis aproveitáveis. A Samsung passou de cerca de 68% para mais de 80% em QD OLED. A LG também cortou custos, mas teve fábricas a operar a metade da capacidade, pagando despesas fixas como se estivessem a produzir a sério.

Ou seja, mesmo quando vendem menos, continuam a gastar o mesmo.

O tamanho pesa!

Quanto maior o OLED, maior o risco. As fábricas trabalham com chapas gigantes de vidro, e o número de painéis que se consegue retirar de cada uma é limitado.

Uma linha Gen 8.5, por exemplo, permite fabricar seis painéis de 55 polegadas ou apenas três de 65 polegadas. Subir para 77 ou 97 polegadas dispara os custos porque se desperdiça mais material e o risco de defeito aumenta.

É exatamente por isso que durante muito tempo, só existiam ecrãs OLED de um certo tamanho. As linhas eram otimizadas ao máximo para retirar a maior margem possível.

Não é por acaso que uma OLED de 97 polegadas custa valores absurdos, enquanto uma LCD de 98 polegadas com tecnologia quantum dot anda perto dos 2.000 euros.

Porque é que o OLED é tão melhor?

Aqui a diferença é real. Num painel OLED, cada pixel liga e desliga sozinho. Resultado? Pretos verdadeiros, contraste praticamente infinito e uma imagem muito mais limpa em cenas escuras.

Numa TV LCD, existe sempre uma luz traseira ligada. Mesmo com local dimming, nunca se apaga tudo. Daí os pretos acinzentados e o famoso blooming.

Há também ganhos claros em:

  • cores mais amplas
  • ângulos de visão muito superiores
  • tempos de resposta quase instantâneos

Mas não é para toda a gente

Uma TV OLED de 55 polegadas pode custar andar à volta dos 1000€ em promoção, mas anda quase sempre entre os 1.200 e 1.800 euros. Uma LCD equivalente fica bem abaixo dos 500 euros. E quando sobes para 75 ou 85 polegadas, a diferença torna-se ainda mais difícil de justificar.

Se a TV é para um quarto, para ver notícias ou ficar ligada várias horas no mesmo canal, uma LCD faz mais sentido. Também lida melhor com ambientes muito iluminados e elimina o risco de burn in, que ainda existe, mesmo que seja cada vez menor.

Já numa sala com controlo de luz, para cinema e jogos, o OLED continua a oferecer uma experiência difícil de bater.

O resumo é simples

Os preços têm vindo a descer, mas não esperes milagres a curto prazo. Enquanto fabricar OLED continuar a ser um processo delicado e arriscado, as LCD vão continuar a ganhar na carteira, mesmo perdendo na qualidade de imagem.

Isto é especialmente verdade nos tempos que correm, em que os custos de produção tendem a aumentar.

No fim, a escolha não é só entre melhor imagem ou preço. É perceber onde vais usar a TV e se vais mesmo tirar partido daquilo que o OLED faz melhor.

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Nuno Miguel Oliveira
Nuno Miguel Oliveirahttps://www.facebook.com/theGeekDomz/
Desde muito novo que me interessei por computadores e tecnologia no geral, fui sempre aquele membro da família que servia como técnico ou reparador de tudo e alguma coisa (de borla). Agora tenho acesso a tudo o que é novo e incrível neste mundo 'tech'. Valeu a pena!

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