Durante anos, habituámo-nos a uma regra simples na tecnologia: com o passar do tempo, o que é bom fica mais barato. No entanto, em 2026, essa regra está prestes a ser quebrada. Se és daqueles que gosta de comprar um smartphone competente por menos de 150 ou 200 euros, prepara-te, porque esse segmento de mercado está em vias de extinção. A indústria mobile está a enfrentar uma tempestade perfeita que está a empurrar os preços para cima, e as vítimas principais serão os dispositivos de entrada. Então 2026 é o fim dos telemóveis baratos?
Telemóveis baratos em 2026 poderá ser complicado: Por que razão os preços estão a subir?
O problema não é apenas a inflação normal trata-se de uma mudança estrutural no fabrico. O grande culpado é o custo de produção. As fabricantes de componentes estão a desviar as suas atenções para onde está o dinheiro a sério: os centros de dados e a Inteligência Artificial.

Como a produção de memória de alta performance para servidores (HBM) dá muito mais lucro, a produção de componentes para telemóveis baratos ficou para segundo plano, fazendo disparar os preços das memórias mais básicas. Isto tornou os smartphones abaixo dos 150 euros quase insustentáveis de produzir. Para as marcas, vender estes equipamentos começa a significar perder dinheiro ou ter margens de lucro tão reduzidas que não compensam o esforço logístico.
A corrida pelos 2nm e o fosso tecnológico
Ao mesmo tempo que o segmento baixo sofre, o topo da pirâmide está a ficar cada vez mais sofisticado e caro. A indústria está a fazer a transição dos processos de 3nm para os 2nm. A Samsung já liderou este movimento com o Exynos 2600, o primeiro chipset 2nm GAA do mundo, e gigantes como a Apple e a Qualcomm estão logo atrás.
Esta tecnologia de ponta é fascinante, mas tem um custo astronómico. O resultado é que as marcas estão a concentrar todos os seus esforços nos modelos de gama alta (Flagships), onde conseguem absorver estes custos e ainda ter lucro.

O que te espera no futuro?
O cenário para 2026 desenha-se de forma clara: o mercado vai polarizar-se.
De um lado, terás os super-telefones com chips de 2nm, IA a correr no próprio dispositivo e preços que provavelmente vão ultrapassar barreiras psicológicas. Do outro, o antigo segmento de entrada vai desaparecer ou transformar-se. O que antes compravas por 150 euros poderá passar a custar 250 ou 300. Ou então terás de te contentar com hardware muito mais antigo e dependência total da nuvem para tarefas inteligentes.
Se estavas a planear renovar o teu telemóvel secundário ou comprar um primeiro telemóvel barato para um familiar em 2026, prepara-te para opções limitadas. O conceito de bom e barato está a dar lugar ao conceito de potente e caro.

