Nos últimos dias começou a circular a ideia de que as Smart TVs estão a abandonar o Sistema Operativo Android. A culpa, em grande parte, foi da Amazon, que decidiu trocar o Android nas Fire TV por um sistema próprio baseado em Linux, chamado Vega.
À primeira vista, isto parece mais um sinal de que o Android TV está a perder terreno. Mas, além dos interesses das fabricantes, a realidade é bem menos dramática do que isso.
Cada fabricante quer mandar no seu quintal, claro!

Convém começar por um ponto simples. A maioria dos grandes fabricantes de televisões nunca usou Android como base principal, nem quer.
A Samsung tem o Tizen há anos. A LG aposta no webOS. A Hisense desenvolveu o VIDAA. Ou seja, estas marcas nunca “abandonaram” o Android porque, na prática, nunca dependeram dele.
É muito mais interessante ter um ecossistema próprio, com todo o controlo, que depois pode significar uma monetização mais interessante de tudo.
Portanto, o Android não está a ser expulso do mercado. O mercado é que sempre foi fragmentado.
Android TV não morreu. Mudou de nome.
Aqui está a parte que muita gente ignora.
O Android TV, tal como o conhecíamos, foi essencialmente rebatizado. Hoje chama-se Google TV.
Não é um sistema diferente. É uma evolução do mesmo Android TV, com outra interface, outra lógica de recomendações e um foco muito maior em conteúdo e serviços.
Aliás, há TVs que continuam a usar Android TV “puro”, mas sem a interface Google TV. Essas continuam oficialmente a ser chamadas Android TV. As outras usam Android por baixo… mas com a cara nova da Google por cima.
Google TV continua bem vivo (e com aliados fortes). É muito provavelmente a melhor base para Smart TVs.
Se olhares para o mercado com atenção, vais perceber que marcas importantes continuam totalmente alinhadas com a Google. Sony, TCL e Hisense continuam a lançar televisões com Google TV. A própria Google substituiu o Chromecast pelo Google TV Streamer, o que diz muito sobre onde está o foco.
Além disso, o sistema está longe de estagnar. Pelo contrário.
Há integração com Google Photos, melhorias constantes na interface e, mais recentemente, a aposta clara em inteligência artificial, com o Gemini a chegar às TVs para ajustar imagem, som, diálogos e até ajudar a encontrar conteúdos.
Nada disto é sinal de abandono.
Então porque parece que o Android está a perder terreno?
Porque o mercado cresceu… e muito.
Hoje existem muito mais marcas, muito mais modelos e muito mais sistemas operativos do que há 10 anos. Isso dilui a quota de qualquer plataforma, mesmo que ela continue a vender bem.
Não é que o Android ou o Google TV estejam a desaparecer. É que já não são a única escolha óbvia.
Conclusão
As Smart TVs não estão a “fugir” do Android. Estão a fugir da dependência.
Cada fabricante quer controlar a experiência, os dados, a publicidade e o ecossistema. Para alguns, isso passa por sistemas próprios. Mas, para outras, continua a fazer sentido usar a Google como parceira. Especialmente porque os consumidores gostam.

