Pode parecer estranho, mas talvez não vás ser dono do teu próximo computador. Algo que não é por acaso, e é tudo menos um acidente.
Ou seja, depois de décadas de evolução em que um computador ficou mais poderoso, mas ao mesmo tempo muitíssimo mais barato. Onde podias ir a uma qualquer loja, escolher um portátil ou desktop, pagar, e levá-lo para casa, de forma a usá-lo durante anos, atualizar algumas peças se possível, e por fim, trocar por outro… Tudo indica que esse modelo pode estar a chegar ao fim.
Curiosamente, não por falta de vontade dos consumidores. É porque o mercado está a ser empurrado noutra direção.
A ideia não é nova. Mas começa a fazer sentido com o passar do tempo.

Em 2024, Jeff Bezos disse algo que, na altura, soou exagerado, mas agora começa a fazer algum sentido.
Ou seja, segundo o fundador da Amazon, os computadores pessoais, tal como os conhecemos, podem tornar-se obsoletos. Não por uma revolução tecnológica concreta, mas porque o modelo de acesso ao poder computacional está a mudar.
A comparação foi simples, apesar de estranha. Ou seja, houve um tempo em que cada fábrica tinha o seu próprio gerador elétrico. Porém, quando surgiram as redes públicas de eletricidade, isso deixou de fazer sentido. Segundo Bezos, o mesmo vai acontecer com os computadores. Em vez de comprares hardware, vais “comprar computação” à rede.
Primeiro porque é mais fácil, até potencialmente mais barato, e claro, porque não vai haver produção para todos. As crises que temos vivido no mundo do hardware não são por acaso. É impossível ter produção para tudo e mais alguma coisa, com um ritmo capaz de adivinhar os altos e baixos do mercado.
Por isso, o futuro, pode muito bem passar por alugar capacidade de processamento na cloud.
A inteligência artificial está a sugar o mercado de hardware
Esta visão não surge do nada, ganha agora força porque não há memória para todos. E de facto, não é só a memória que tem vindo a trazer problemas. O armazenamento também está a sofrer, e segundo todos os rumores da indústria, os chips de 2nm vão ser um autêntico assalto à carteira de todos nós.
Hoje em dia podemos ver memória DRAM e o armazenamento NAND já estão mais caros e tudo indica que vão continuar a subir ao longo de 2026 e 2027. Há fabricantes a sair do mercado de consumo para se focarem apenas em soluções empresariais e IA, porque é aí que está o dinheiro.
Acesso a tudo pela cloud?
Cloud gaming, desktops virtuais, apps baseadas em browser, software por subscrição. Tudo isto já existe. A única coisa que falta é “matar” a ideia de ter algo em caso capaz de fazer tudo sozinho.
Ou seja, começar a pensar que em vez de ligar uma PS5 na nossa sala, vamos entrar em uma qualquer app, onde poderemos jogar os jogos da nossa biblioteca, nas capacidades máximas do título. Isto a pagar apenas e só uma subscrição a “alguém”.
Em suma, um terminal. Um ecrã com teclado. O resto acontece longe de ti.
O problema é… quando a posse desaparece, a dependência aumenta, e isso é assustador.

