Há uma ideia simples que muda completamente a forma como pensas a velocidade, e não tem nada a ver com moralismos, segurança rodoviária ou multas. Tem a ver com tempo real.
Nós estamos habituados a ver a velocidade sempre da mesma forma. Ou seja, quilómetros por hora. É assim no carro, é assim no GPS, é assim na nossa cabeça. Estamos muito formatados para pensar assim. Mas esta métrica esconde algo importante. Ou melhor, engana-nos.
O problema do velocímetro tradicional

Portanto, Km/h diz-te a distância por tempo. Parece lógico, mas não é a melhor forma de perceber o impacto real da velocidade no teu percurso.
É por isso que dois economistas comportamentais pegaram nisto e inverteram a lógica. Ou seja, em vez de km/h, mostraram minutos por distância. Por exemplo, quantos minutos demoras a fazer 10 km à velocidade a que estás.

Dito isto, quando olhas para a velocidade desta forma, percebes rapidamente que cada aumento de velocidade poupa cada vez menos tempo. Mas, ao mesmo tempo, aumentas o risco de multa, de acidente, aumentas o desgaste do teu veículo, e ainda gastas mais combustível/bateria.
A ilusão de ganhar minutos?
Toda a gente já passou por isto.
Vais na autoestrada a 120 km/h, o GPS diz que vais chegar 3 minutos atrasado. Pensas “ok, vou acelerar um bocadinho”. Vais a 130, depois 140. Passam uns quilómetros… e o ETA muda um minuto. Às vezes nem isso.
Isto acontece porque, quanto mais rápido já vais, menos impacto tem acelerar ainda mais.
Pode parecer estranho, mas se estás a ir devagar, ganhar mais 10 km/h faz uma diferença enorme. Porém, se já vais rápido, esses mesmos 10 km/h são quase irrelevantes em termos de tempo.
O tempo poupado entra em flatline.
O custo continua a subir. E muito.
Enquanto o tempo que ganhas praticamente desaparece, tudo o resto cresce.
- A distância de travagem aumenta.
- O risco de acidente sobe.
- A gravidade de um impacto dispara.
- O consumo de combustível cresce brutalmente.
Ou seja, o custo é exponencial e o benefício é quase zero.
Não é medo. É matemática.
Isto não é um discurso para “andares devagar”. É um convite a perceberes quando é que acelerar deixa de fazer sentido.
Se visses a velocidade em minutos por distância, em vez de km/h, provavelmente não carregavas tanto no acelerador quando estás atrasado. Não por medo. Mas porque percebias que estás a arriscar muito para ganhar praticamente nada.
E isto diz muito sobre como a forma como a informação é apresentada muda completamente o nosso comportamento.

