Durante anos, a conversa foi sempre a mesma. Enquanto quem compra não tem grandes problemas, quem vende IPTV ilegal arrisca problemas sérios. Isto porque, quem compra, em teoria, anda numa zona cinzenta. Pois bem, essa narrativa começa finalmente a cair.
IPTV Pirata expõe dados de 5.000 pessoas. Agora? Multas!

Na Suécia, uma grande operação policial contra um serviço de IPTV ilegal não só desmantelou um esquema que faturava milhões, como expôs os dados pessoais de quase 5.000 utilizadores.
Dados esses que podem muito bem vir a ser usados para aplicar multas já a partir de 2026. Sim, estamos a falar de clientes finais. Pessoas “normais” e não apenas vendedores.
O caso Nordicplay e o erro clássico do pagamento fácil
A operação teve como alvo um serviço conhecido como Nordicplay, que funcionava como muitos outros espalhados pela Europa. Subscrições baratas, listas de canais infinitas e a promessa de anonimato.
O problema? Os pagamentos.
Segundo a investigação, o principal suspeito, um homem de 43 anos, terá gerado cerca de 35 milhões de coroas suecas, perto de 3 milhões de euros, usando empresas de fachada para esconder os lucros. No entanto, muitos clientes pagavam através do Swish, um sistema de pagamentos móveis diretamente ligado ao número de identificação pessoal do utilizador. (Um pouco como o nosso MBWay).
Resultado? Anonimato zero.
As autoridades conseguiram identificar exatamente quem pagava pelo serviço. Não por direitos de autor, mas porque o dinheiro deixou rasto.
20.000 contactos. 4.886 clientes identificados
Durante as buscas, a polícia encontrou uma lista com mais de 20.000 contactos. Após cruzamento de dados, 4.886 utilizadores ficaram diretamente associados a pagamentos efetivos.
Para já, estas pessoas não estão a ser acusadas. Mas atenção. A organização antipirataria sueca Rights Alliance já admitiu que a polícia pode começar a contactar os utilizadores, nem que seja para os avisar de que os seus dados fazem parte de uma investigação criminal.
E isto é só o começo…
A lei muda em julho de 2026!
A Suécia está a preparar legislação para tornar explicitamente ilegal não só vender, mas também consumir IPTV ilegal. Algo que elimina por completo a tal “zona cinzenta” que muitos gostam de invocar.
A proposta, anunciada pela Ministra da Cultura sueca, deverá entrar em vigor a 1 de julho de 2026, permitindo a aplicação direta de multas a quem subscreve estes serviços.
Ou seja, aquelas listas de clientes que hoje parecem apenas um detalhe… amanhã podem ser provas. Que por sua vez podem resultar em penas de prisão, e muito provavelmente muitas multas.
E Portugal?
Portugal não está isolado desta realidade. Pelo contrário. A utilização de IPTV pirata é altíssima, e o discurso de que “ninguém é apanhado” começa a soar perigosamente desatualizado.
Pagamentos fáceis, apps populares, listas partilhadas em grupos de Telegram e WhatsApp. Tudo deixa rasto.
A Suécia pode estar a dar o primeiro passo mais agressivo. Mas dificilmente será a última.
A pergunta já não é se isto vai chegar a outros países europeus. A pergunta é quando.

