Durante décadas, falar de processadores para portáteis era praticamente o mesmo que falar da Intel. A marca dominava tudo, com quotas perto dos 90%. Mas esse tempo acabou, e acabou mesmo a sério.
Segundo dados recentes da Mercury Research e da Bernstein Research, citados pela Citrini Research, Apple e AMD detêm agora cerca de 20% cada uma do mercado de CPUs para portáteis.
Ou seja, juntas, tiraram mais de 20 pontos percentuais à Intel desde 2018.
Assim, aos dias de hoje, a Intel ainda lidera, mas já só com cerca de 60%. Um número que pode vir a cair bastante nos próximos tempos.
AMD fez o trabalho sujo no início. Mas a Apple acelerou tudo com as suas próprias propostas, ao mesmo tempo que deixou a Intel para trás.

A queda da Intel começou a sério em 2017, quando a AMD lançou a arquitetura Zen, que por sua vez deu vida aos primeiros Ryzen. A partir daí, a velha rival da Intel começou lentamente a recuperar espaço, tanto em desktops como em portáteis.
Aliás, no lado dos desktops, o impacto da AMD é ainda mais visível. Com a chegada dos Ryzen Zen 4 e, mais recentemente, Zen 5, a marca ganhou enorme tração, ajudada pela tecnologia 3D V-Cache, algo a que a Intel nunca respondeu de forma convincente. O resultado? CPUs da AMD dominam as tabelas de vendas e já representam mais de 40% dos utilizadores do Steam.
Mas nos portáteis, houve outro fator decisivo… A Apple!

Quando a Apple decidiu abandonar os processadores Intel e avançar para chips próprios baseados em ARM, a Intel perdeu de uma vez milhões de unidades por ano. Os Apple Silicon, da série M, mudaram completamente a perceção do que um portátil pode ser em termos de desempenho por watt, autonomia e silêncio.
Sendo exatamente por isso que, apesar de pertencer a um ecossistema diferente, a Apple já vale tanto nos portáteis como a AMD.
Aliás, a Apple foi capaz de mudar o mercado, e aos dias de hoje, tem aquele que é muito provavelmente o melhor portátil até 1000€. O MacBook Air M4. Uma máquina poderosa, leve, bonita, bem construída, com um nível de performance invejável para trabalhar.
Intel tenta reagir, mas a pressão só aumenta
A Intel já lançou os seus novos Core Ultra 3 (Panther Lake), os primeiros fabricados no processo 14A, numa tentativa de recuperar terreno. O problema é que a concorrência não ficou parada.
Do lado da AMD, temos os novos Ryzen AI 400, e do lado da Apple, tudo indica que os chipsets apenas vão melhorar. Ou seja, mesmo com novos processos de fabrico, a Intel já não tem o conforto de antigamente.
O futuro pode ficar ainda mais complicado
Neste momento, a Apple domina praticamente sozinha o mercado de CPUs ARM para PCs. Mas isso pode mudar. A Qualcomm já entrou no jogo com chips para portáteis Windows, e a Nvidia também é apontada como futura concorrente neste segmento.
Se estes projetos ganharem tração, a pressão sobre a Intel vai aumentar ainda mais.
Conclusão
O mercado mudou.
A Intel já não é sinónimo automático de computador portátil. AMD e Apple dividiram o bolo e provaram que há alternativas sérias, eficientes e competitivas. O mais curioso é que isto aconteceu sem colapso do mercado, sem revoluções forçadas. Apenas com melhores produtos.

