Durante anos, os híbridos plug-in foram vendidos como a solução perfeita para quem não queria dar o salto total para o 100% elétrico. Aliás, ainda hoje existe essa ideia, especialmente agora que as motorizações PHEV deram um salto muito significativo na autonomia e velocidade de carregamento.
Basicamente um pé no futuro, e um outro no passado. Elétrico para o dia a dia, gasolina para quando “é preciso”.
O problema? A maioria das pessoas não carrega o carro.
“A maioria das pessoas nem sequer liga o carro à tomada”

Quem o admite é a própria General Motors, pela voz da sua CEO, Mary Barra, numa conferência do setor automóvel nos EUA.
A frase é simples, mas devastadora:
“A maioria das pessoas não liga os híbridos plug-in à tomada.”
Ou seja, usam-nos como carros a gasolina normais. Isto com um detalhe importante… São mais pesados, menos eficientes e, em muitos casos, mais poluentes do que um carro a combustão equivalente.
Emissões reais muito acima do prometido

Os números não são bonitos. Como as pessoas não se dão ao trabalho de carregar o seu plug-in, as emissões reais deste tipo de veículo estão muito longe das reais. Ou seja, segundo a organização europeia Transport & Environment, os híbridos plug-in emitem, em uso real, quase cinco vezes mais CO₂ do que aquilo que aparece nas fichas técnicas.
Dados da própria Comissão Europeia apontam para valores 3.5 vezes superiores aos resultados de laboratório.
Nos Estados Unidos, o International Council on Clean Transportation chegou à mesma conclusão. Em uso real, estes carros gastam entre 42% e 67% mais combustível do que aquilo que prometem nos testes oficiais.
Porquê?
Porque os modelos assumem que 84% das viagens são feitas em modo elétrico.
Na realidade, apenas 27% o são.
Como deves imaginar, alguns híbridos plug-in acabam por consumir mais do que as versões só a gasolina quando andam sem carga na bateria.
Porque é que as marcas continuam a apostar neles?
Simples.
Os incentivos aos elétricos estão a desaparecer em vários mercados. As tarifas aumentaram. Além disso, as vendas de elétricos abrandaram pela primeira vez em anos.
Os híbridos plug-in permitem às marcas mostrar “eletrificação”, cumprir metas no papel e vender carros sem depender tanto de carregadores ou subsídios estatais.
Conclusão
No final do dia, os híbridos plug-in acabam por mostrar um grande interesse, e eficiência energética, se tiverem a utilização correta. O problema é que este tipo de veículo só funciona se for carregado em casa, e nem todos os condutores conseguem tal proeza.
Em suma, enquanto não existir um sistema fácil e barato para se carregar um carro na via pública, este problema vai sempre existir, e de facto, a adoção de carros 100% elétricos vai estar sempre comprometida.

