Segundo novos dados da Omdia, as remessas globais de smartphones com painéis AMOLED deverão cair para cerca de 810 milhões de unidades em 2026, abaixo das 817 milhões registadas em 2025. Pode parecer uma descida pequena, mas conta uma pequena história. Isto porque estamos a falar da primeira quebra anual depois de três anos seguidos de crescimento.
Entretanto, como é óbvio numa altura em que a tecnologia OLED começa a ficar cada vez melhor, e mais barata, isto não tem nada a ver com falta de procura por bons ecrãs. O problema está noutro lado.
Sim, até aqui a culpa é da memória.
Smartphones AMOLED vão vender menos. De quem é a culpa?

Em suma, os custos absurdos da memória RAM e NAND estão a estrangular os planos das marcas.
O grande culpado é o mesmo que já anda a estragar o mercado de PCs, portáteis e componentes: a escassez de memória e o aumento brutal dos preços. DRAM e NAND estão cada vez mais caras, muito por culpa da corrida à IA, com os data centers a absorverem grande parte da produção.
Por isso, como tudo é uma incógnita, porque ninguém ainda muito bem como os consumidores vão reagir a produtos piores ao mesmo preço, ou melhores mas bastante mais caros. As fabricantes de smartphones estão a fazer contas e a travar encomendas para 2026.
Os ecrãs podiam ficar mais baratos? Sim, mas não vai acontecer.
As fabricantes de ecrãs já cortaram margens a sério em 2025 para ganhar quota de mercado, e agora há pouco espaço para novas reduções. Em alguns modelos, o custo da memória já está a aproximar-se, ou até a ultrapassar, o custo do próprio ecrã.
Ou seja, não há muito mais por onde cortar sem alguém sair a perder.
Conclusão
Durante muito tempo, a indústria viveu com a ideia de que dava sempre para empurrar os custos para trás na cadeia de fornecimento. Porque os custos de cada componente diminuiam quase todos os anos, à exceção de alguns mais críticos como o processador. Em 2026, essa estratégia começa a falhar. E tudo vai começar a cambalear.

