A escassez de RAM pode durar até 2029. E de facto, ainda não está a doer, a não ser quem anda a tentar comprar um SSD ou um kit de memória RAM. Mas, vai ser o caos para quem precisar de ir ao mercado a sério. Isto vai doer no bolso.
Aliás, nós já dissemos que um representante de uma marca de smartphones em Portugal avisou tudo e todos… Em Março vai tudo aumentar. Muito provavelmente à volta dos 30%. Mas, isso é apenas o início. Os preços para a indústria continuam a aumentar, e como tal, os preços para os consumidores vão ter de seguir a msma exata tendência.
Assim, se andas a pensar montar PC novo, fazer upgrade, ou simplesmente comprar um portátil decente sem sentir que te estão a assaltar, tenho más notícias. A conversa da “crise de memória” não é só barulho. É real, e vai ser um problema a sério para todos.
O problema não é falta de procura.
O cenário é simples: quem paga mais, manda mais.

Por isso, grande parte da produção está a ser desviada para quem paga mais. Quem paga mais? As empresas focadas no IA, que parecem ter bolsos sem fundo. Quem fica para trás? Quem produz portáteis, smartphones, consolas, tablets, etc… E sim, isto também inclui empresas cheias de dinheiro como é o caso da Apple.
Para teres ideia, os datacentes vão absorver cerca de 70% de toda a produção em 2026. É um absurdo.
Até 2029 pode ser um exagero. Mas 2026 já está a arder!
Mesmo que o número 2029 seja discutível, 2026 já começa com números que não deixam muito espaço para otimismo.
A TrendForce, por exemplo, aponta para subidas brutais nos preços de DRAM no 1º trimestre de 2026, com aumentos na ordem dos 55% a 60% face ao trimestre anterior, e server DRAM a subir mais de 60%. O motivo é exatamente este, fornecedores a realocar capacidade e nós cá fora a levar com o resto.
Quem se lixa primeiro? O consumidor, como sempre
Isto não vai afetar só quem monta PCs.

Vai bater em tudo o que tem memória lá dentro, incluindo placas gráficas, portáteis, smartphones, até TVs e outras tretas que dependem de cadeias de fornecimento já super esticadas. E ainda há o efeito psicológico, quando o mercado percebe que há menos stock, começa o pânico e a especulação.
Aliás, as fabricantes também estão em pânico, ao cortar nas especificações, para não serem obrigadas a aumentar preços, que poderão levar a uma perda de competitividade no mercado.
O lado positivo? Vai obrigar a otimizar. Ou devia.
Se a RAM vai ser cara, os devs vão ter de otimizar? É uma ideia gira, mas acho impossível nos tempos que correm.
Eu próprio estudei Engenharia Informática, e sei muito bem como um software é desenvolvido. A lei do menor esforço existe, e com o uso muitas vezes exagerado de plataformas de IA para programar, eficiência é coisa que não vamos ter.
Aliás, basta olhar para o mercado, onde até no lado dos videojogos já há muitos títulos com IA à bruta para poupar trabalho.
Conclusão
A discussão do “até 2029” pode ter muito de futurologia, mas a tendência é real: a IA está a sugar capacidade industrial e a empurrar o resto do mercado para uma zona onde tudo fica mais caro, durante mais tempo do que era suposto.
Se estás a adiar upgrades “para quando sair a próxima geração”, talvez seja boa altura para repensar isso. Porque o caos está para durar.

