Está à venda online, custa poucos euros e liga-se à porta USB do carro como qualquer outro acessório. E é exatamente isso que o torna perigoso. Há dispositivos USB que parecem completamente inofensivos, mas que, quando ligados, podem causar danos graves e permanentes na eletrónica do carro. O pior? Nem sempre são vendidos como algo perigoso. Vendem como gadget mas funcionam como arma elétrica. Alguns destes dispositivos são conhecidos como USB killers. Outros nem sequer têm esse nome. Surgem descritos como acessórios curiosos, gadgets técnicos ou até simples pens USB. Por fora, não levantam suspeitas. Por dentro, são outra coisa. Se o ligares à porta USB do carro vais ter problemas.
Está à venda online. Ligá-lo ao USB do carro pode destruí-lo
Entretanto quando ligados, acumulam energia e devolvem-na em picos de alta voltagem, algo para o qual a eletrónica do carro simplesmente não está preparada. Assim o resultado pode ser imediato: a porta USB deixa de funcionar, o sistema multimédia reinicia, ou pior fica permanentemente danificado.

“Mas isso não devia estar à venda”
É aqui que a coisa fica desconfortável. Alguns destes dispositivos começaram por ser apresentados como ferramentas de teste técnico, usadas para avaliar a resistência de portas USB em ambientes controlados. O problema é que acabaram no mercado comum, muitas vezes sem explicação clara do que fazem.
Em certos casos, são vendidos: como gadgets técnicos, como acessórios experimentais ou com descrições vagas que não explicam o risco real. Quem compra pode nem perceber o que tem nas mãos.
O perigo está no disfarce
O aspeto é o maior problema.
Um USB killer pode parecer uma pen USB normal, um adaptador pequeno ou um acessório automóvel genérico. Externamente, é quase impossível distinguir de um dispositivo legítimo. A diferença está num circuito interno que não se vê.
Isto significa que alguém pode ligar um destes dispositivos ao carro sem qualquer intenção de causar danos apenas por curiosidade ou confiança excessiva.
Num carro moderno, o risco é ainda maior
Entretanto nos carros atuais, a porta USB não está isolada. Está ligada ao sistema de infotainment, que por sua vez comunica com outros módulos eletrónicos do veículo. Assim um pico elétrico pode não ficar contido numa única porta.

Entretanto quando um módulo eletrónico falha, a reparação raramente é simples ou barata. Em muitos casos, implica substituir unidades inteiras, com custos que podem ir muito além do que se imagina para uma simples porta USB.
Na prática estamos a falar de danos físicos causados por eletricidade fora dos limites normais. E há um detalhe importante: a garantia do carro pode não cobrir este tipo de danos por se deverem a dispositivos externos.
Se houver apenas uma regra a seguir, é esta: Nunca ligues à porta USB do carro um dispositivo cuja origem e função não conheças bem.

