Durante anos, o aumento de preços nos smartphones foi justificado com inflação, escassez de componentes ou custos de produção. Hoje, o jogo é outro. Sim, há problemas, especialmente no lado da memória. Mas… As marcas já sabem como é que vão aumentar preços sem destoar muito.
O exemplo vem da Qualcomm, com a estratégia para o próximo Snapdragon topo de gama.
Dois chips… e preços bem diferentes!

Caso não saibas, o próximo super topo de gama Snapdragon 8 Elite Gen 6 não vem sozinho. A Qualcomm vai lançar duas versões do mesmo processador! O Snapdragon 8 Elite Gen 6 “normal” e o Snapdragon 8 Elite Gen 6 Pro.
O “normal” vai dar vida aos modelos de topo que todos nós conhecemos, e claro, o modelo “Pro” vai dar vida aos novos super topos de gama do ecossistema Android.
À primeira vista, parece uma escolha lógica. Um modelo mais potente para flagships premium e outro ligeiramente mais contido para o resto do mercado. Mas na prática, esta divisão serve um propósito muito concreto. Aumentar preços sem parecer que se está a aumentar preços.
Não estamos a falar de um SoC pensado para ser um bocadinho menos poderoso. Estamos a falar de uma mudança das linhas que sempre separaram gamas no mundo dos smartphones de topo. O modelo Pro quer ir mais além, e vai ser exatamente isso que nos vai ser vendido a partir do material de marketing.
Os smartphones equipados com a versão Pro vão ser ainda mais premium, mais exclusivos, e por isso mesmo, bastante mais caros.
O truque está no posicionamento!
O mais interessante é que a Qualcomm não está a dizer que o Snapdragon 8 Elite Gen 6 é caro. Está a dizer que o Pro é caro.

O chip “normal” passa automaticamente a parecer razoável. Mesmo que seja mais caro do que a geração anterior, a comparação deixa de ser com o passado e passa a ser com o Pro. É aqui que a segmentação faz magia.
O Pro não é para todos… e não tem de ser
As marcas agradecem, os preços sobem
Ou seja, para as fabricantes de smartphones, esta divisão é perfeita. Tudo porque o consumidor perde referência de valor.
Especialmente porque quando o topo sobe artificialmente, tudo o resto sobe atrás. O consumidor deixa de se perguntar se um smartphone de 900 euros faz sentido. Passa a perguntar se faz sentido face ao modelo de 1.300 euros.
A Qualcomm percebeu que o avanço para os 2 nm, aliado à corrida pela IA e à pressão da Apple e da MediaTek, era a oportunidade perfeita para redefinir o que é “normal” no topo do Android.
Em suma, dois chips. Dois preços. E claro, um novo patamar psicológico.

