Isto já começa a ser um bocado chato, e tens toda a razão em mostrar esse tipo de incómodo. Só se fala de aumentos de preço todos os dias. Mas… não é por acaso! O que nos vai acontecer é uma completa novidade, e vai ter um impacto absurdo.
Mas, não é só e apenas pela memória RAM, e pelos chips NAND Flash que dão vida ao armazenamento. Os próximos processadores da Qualcomm também querem ajudar à festa.
Snapdragon 8 Elite Gen 6 Pro vai ser caro. Demasiado caro?

Se achavas que os smartphones topo de gama já estavam a tocar no limite do aceitável, prepara-te. Além da crise dos chips de memória, o próximo grande salto da Qualcomm no mundo dos chips móveis promete performance de outro nível, mas também preços que começam a meter medo até às próprias marcas.
O problema começa nos 2 nm da TSMC
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A Qualcomm vai estar entre as primeiras empresas a lançar um chip produzido em 2 nm, ao lado da Apple e da MediaTek. Dito isto, no caso da empresa de San Diego, a aposta passa por dois modelos distintos, o Snapdragon 8 Elite Gen 6 “normal” e o Snapdragon 8 Elite Gen 6 Pro, sendo este último reservado para os smartphones mais caros (e mais poderosos) do mundo Android.
O grande problema chama-se produção. A produção em 2 nm na TSMC é significativamente mais cara do que os atuais 3 nm. Fala-se em valores a rondar os 30 mil dólares por wafer, e isto antes sequer de entrarmos em questões como rendimentos, desperdício ou prioridades de produção face à avalanche de chips para inteligência artificial.
Quando a base de produção fica mais cara, tudo o resto acompanha. Vai ser mau.
O precedente já não é animador
Para perceber o que aí vem, basta olhar para o passado recente. O Snapdragon 8 Elite Gen 5, o primeiro grande salto da Qualcomm com núcleos Oryon desenvolvidos internamente, já obrigou muitos fabricantes a pagar perto de 280 dólares por unidade. E isto num contexto onde a memória ainda não estava tão pressionada como agora.
Assim, com DRAM e NAND a subir de preço, e com a Qualcomm a apostar numa versão ainda mais ambiciosa do seu chip topo de gama, tudo aponta para um novo patamar de custos.
As estimativas mais realistas colocam o Snapdragon 8 Elite Gen 6 Pro acima dos 300 dólares por unidade, com valores a rondar os 320 dólares a fazerem cada vez mais sentido.
Ou seja, mais 40 dólares para cima de um monte de lenha a arder.
Um chip para poucos
Este aumento de preço ajuda a explicar um fenómeno curioso que já começa a ganhar forma. Mesmo as maiores marcas Android não tencionam usar o Gen 6 Pro em toda a linha. A maioria vai reservar este chip apenas para os modelos Ultra, Pro Max ou equivalentes, deixando o Snapdragon 8 Elite Gen 6 “normal” como solução dominante.
É provável que até sirva para justificar o aumento de preço que poderá aparecer nestes modelos.
Na prática, estamos a assistir a uma segmentação ainda mais agressiva no topo do mercado. Em suma, um pequeno grupo de modelos extremamente caros com tudo o que existe de melhor, e o resto a tentar equilibrar custos sem perder demasiado impacto no marketing.

