A escassez de memória, causada pela corrida louca aos centros de dados para IA, anda a meter medo a meio mundo tecnológico. DRAM a subir de preço, previsões de cortes em especificações, rumores de portáteis mais caros ou mais fracos.
Mas, pelo menos no curto prazo, o mercado dos portáteis parece estar relativamente protegido. Quem o diz é a Intel.
Há stock para aguentar quase um ano!
Não te deixes enganar. A música para 2026 está escolhida. Todas as fabricantes falam em aumentos de preço. Isto parece até um bocadinho a história do petróleo. Os preços aumentam quando a matéria prima aumenta nos mercados Internacionais. Mas… A matéria prima está há vários meses nas mãos das empresas.
Existe muito stock de chips de memória nos armazéns de todas as fabricantes de renome.
Quem o afirma é a Intel, ao apontar que os principais fabricantes de portáteis têm atualmente stock de memória suficiente para aguentar entre 9 a 12 meses sem grandes sobressaltos. Ou seja, mesmo com a pressão brutal da IA a sugar chips de memória para data centers, os portáteis deverão continuar a chegar ao mercado sem alterações dramáticas… Pelo para já.
A explicação é simples e pouco romântica. Este setor planeia tudo com muita antecedência. Os OEM fecham contratos, garantem fornecimento e constroem inventário muito antes de um portátil chegar às lojas. Esse “colchão” está agora a funcionar como escudo contra o caos que se vive no mercado de DRAM.
Otimizar em vez de atirar hardware ao problema.
A Intel também está a tentar jogar noutra frente. Nos próximos processadores Core Ultra Series 3, a empresa vai apostar num cache L3 maior e partilhado entre núcleos de desempenho e eficiência, com o objetivo de reduzir a dependência da memória RAM em certas tarefas.
Traduzindo isto para português simples: tentar fazer mais com menos RAM, ou pelo menos usar melhor a que existe.
Do lado do software, a Microsoft também parece ter acordado para o problema. Está a trabalhar em ferramentas que ajudam os programadores a perceber, com mais detalhe, como as aplicações usam memória. Algo que soa quase irónico para quem usa Windows diariamente e conhece bem os seus problemas de eficiência.
O “AI PC” ainda não convenceu ninguém
No meio disto tudo, há um detalhe curioso. Apesar de todo o marketing à volta dos “AI PCs”, a verdade é que a maioria das pessoas continua a comprar portáteis pelos motivos de sempre: desempenho, autonomia, preço e fiabilidade.
A própria Dell já admitiu que quase ninguém compra um portátil só porque tem uma NPU dedicada para IA. Para o utilizador comum, isso ainda soa confuso, abstrato e, na prática, pouco útil.
Talvez por isso haja quem comece a desejar, em silêncio, que a bolha da IA rebente um pouco em 2026. Não porque a tecnologia não tenha valor, mas porque está a distorcer preços, prioridades e cadeias de produção inteiras.
O resumo é simples
Os portáteis vão aguentar o embate da crise da memória durante mais algum tempo. Os fabricantes compraram tempo com stock e planeamento. Mas isso não resolve o problema de fundo.
Até porque a crise deve durar mais de 1 ano, ou até mais de 2 anos.
Quando esse colchão acabar, ou a IA abranda, ou os preços e as especificações vão mesmo ter de mudar. Até lá, o mercado vai fingir normalidade. Pelo menos em grande parte.









