Há alturas em que o mundo da IPTV pirata deixa de ser apenas um mercado cinzento cheio de anúncios duvidosos no Facebook ou no WhatsApp. Desta vez, o caso foi ainda mais caricato: a Groupon, que é muito conhecida pelos seus negócios incríveis, foi apanhada a promover subscrições de IPTV pirata como se fossem apenas mais um “bom negócio”.
Sim, estamos a falar de uma das maiores plataformas de descontos do mundo a anunciar pacotes ilegais de televisão por Internet. Isto com acesso ilimitado a canais premium, filmes e desporto, a preços absurdamente baixos. Tudo isto num site que, teoricamente, deveria operar dentro da legalidade mais básica.
A denúncia veio da Holanda e o anúncio desapareceu num instante

O alerta foi dado pela Fundação BRIEN, uma entidade anti-pirataria holandesa que detetou a oferta ilegal diretamente na plataforma da Groupon.
Mas, o mais curioso é a rapidez com que tudo desapareceu.
Assim que a denúncia foi feita, o anúncio foi removido quase de imediato. Não por acaso. A BRIEN tem estatuto de “Trusted Flagger” ao abrigo da Lei dos Serviços Digitais da União Europeia, o que significa que as plataformas são obrigadas a agir rapidamente quando estas entidades reportam conteúdos ilegais.
Ou seja, a Groupon não discutiu, não tentou justificar, não fez de conta que não viu. Apagou e seguiu em frente.
IPTV pirata não é só ilegal, também é perigosa!
O discurso habitual de quem vende IPTV pirata é simples: é barato, funciona e “ninguém quer saber”. Em Portugal temos cada vez mais consumidores a optar pelo lado ilegal, porque é… Extremamente mais barato. O problema é que esta narrativa ignora completamente os riscos reais para quem usa estes serviços.
Estamos a falar de subscrições que não têm qualquer licença para transmitir conteúdos protegidos por direitos de autor. É pirataria digital pura e dura. E, embora em muitos países o consumidor final ainda escape a consequências diretas, isso não significa que esteja protegido.
Muitas destas plataformas vivem de publicidade intrusiva, esquemas manhosos e, pior ainda, malware. Há vários relatórios académicos que apontam para o uso frequente de software malicioso em serviços de IPTV ilegal, especialmente em boxes Android e Firesticks modificadas.
O objetivo é simples… Roubar dados, credenciais, informações bancárias ou transformar o dispositivo num ponto de entrada para outros ataques. Informação roubada que depois acaba à venda na dark web para esquemas de fraude e roubo de identidade.
Pagas antes, ficas sem nada depois
Outro detalhe que muita gente ignora é o modelo de negócio destas plataformas. Normalmente exigem pagamento antecipado para vários meses ou até um ano inteiro. Quando o serviço desaparece após uma operação policial, não há reembolsos, não há apoio ao cliente, não há nada.
Em suma, ficas sem o dinheiro e sem o acesso. Simples.
E com o aumento das ações coordenadas contra redes de IPTV pirata na Europa, este risco é cada vez mais real.
O Reino Unido já começou a apertar o cerco
No Reino Unido, o problema da IPTV ilegal atingiu uma escala tão grande que já começou a dar em penas de prisão. Milhões de utilizadores recorrem a Firesticks modificadas para aceder a canais premium sem pagar, mas as autoridades têm apertado cada vez mais o cerco aos vendedores.
Aliás, há já vários casos de condenações, incluindo penas de prisão efetiva para quem vendia hardware desbloqueado através de redes sociais como o Facebook. Num dos casos mais recentes, um vendedor acabou condenado a dois anos de prisão. Isto depois de as autoridades conseguirem ligar transferências bancárias diretamente à atividade ilegal.
Quando até as grandes plataformas falham
Portanto, se até um gigante dos descontos pode deixar passar uma subscrição de IPTV pirata, talvez esteja na altura de desconfiar sempre quando o preço parece demasiado bom para ser verdade. Normalmente é mesmo isso.

