Smartphones: Fabricantes Chinesas fartas da Qualcomm?

O SoC Dimensity 9600 pode ser o chip que baralha o jogo nos flagships chineses da próxima geração.

Apesar de durante anos, a equação ter sido muito simples no segmento topo de gama Android. Ou seja, quem queria o melhor desempenho possível tinha de ir bater à porta da Qualcomm e aceitar o preço do Snapdragon desse ano. Em 2026, essa lógica começa finalmente a ser posta em causa! Grande parte da culpa pode vir de um nome que a MediaTek conhece bem: Dimensity 9600.

Ainda não foi apresentado oficialmente, mas tudo indica que o próximo SoC topo de gama da MediaTek vai tornar-se uma escolha muito popular entre as fabricantes chinesas.

Especialmente num momento em que os preços da Qualcomm estão a atingir níveis difíceis de justificar. Basicamente, se a performance é similar, e o preço é mais apetecível… Adeus Qualcomm!

Quando o Snapdragon fica caro demais… Tem de se olhar para o vizinho do lado!

O grande problema para a Qualcomm não é técnico. Aliás, é bem provável que o futuro Snapdragon 8 Elite Gen 6 Pro seja tudo aquilo que a Qualcomm promete. Ou seja, mais potência gráfica, suporte para memória LPDDR6 e armazenamento UFS 5.0. Isto além de um foco claro em fotografia computacional e IA.

O problema é o preço. As estimativas apontam para valores tão elevados que, mesmo em flagships acima dos 1.000 euros, começam a levantar dúvidas internas nas marcas. É aqui que entra o Dimensity 9600 como alternativa “boa demais para ignorar”.

Oppo e Vivo podem virar costas à Qualcomm

Segundo informações vindas da China, marcas como a OPPO e a Vivo estarão a considerar seriamente usar o Dimensity 9600 nas versões Pro Max e Ultra dos seus próximos flagships, deixando o Snapdragon 8 Elite Gen 6 Pro reservado para modelos muito específicos ou até de lado.

Tem de ser! Num mercado onde as margens estão cada vez mais pressionadas, pagar centenas de dólares por um SoC começa a ser um problema real, mesmo para gigantes chinesas que normalmente nem olham assim tanto para o custo de um produto, quando querem mesmo é ganhar quota de mercado.

TSMC em 2nm e um pequeno trunfo técnico

O Dimensity 9600 deverá ter como base o processo N2P da TSMC, uma evolução do nó de 2nm que promete cerca de 5% mais desempenho face ao N2 “base”. Curiosamente, este será o mesmo processo que a Apple vai usar nos futuros chips da série A20.

Isto coloca a MediaTek numa posição interessante. Em termos de fabrico puro, o Dimensity 9600 não parte em desvantagem face aos chips mais avançados do mercado. Pelo contrário, pode até ter uma pequena vantagem em eficiência ou clocks sustentados, algo que será crucial para convencer fabricantes a apostar nele em modelos premium.

O calcanhar de Aquiles da MediaTek continua a ser a eficiência?

Há problemas. O atual Dimensity 9500 foi criticado por não incluir núcleos de eficiência dedicados, o que penalizou consumos em cenários reais. Se a MediaTek não corrigir isso no Dimensity 9600, o chip vai precisar de extrair tudo o que conseguir do processo de 2nm para não ficar atrás em autonomia.

Aqui, a comparação com a Apple é inevitável. A empresa conseguiu melhorias de desempenho muito significativas nas gerações recentes sem aumentar o consumo, algo que continua a ser o grande benchmark da indústria. O Dimensity 9600 vai ter de provar que consegue competir nesse campo, e não apenas nos benchmarks.

LPDDR6 como argumento de venda

Outro ponto a favor do Dimensity 9600 é o suporte para LPDDR6, algo que também estará presente apenas no Snapdragon 8 Elite Gen 6 Pro. Isto coloca a MediaTek ao nível do melhor que existe em termos de largura de banda de memória, um fator cada vez mais relevante com IA local, fotografia computacional e multitasking pesado.

Num mundo onde cada componente custa mais dinheiro, oferecer desempenho de topo sem o “imposto Qualcomm” torna-se um argumento difícil de ignorar.

O equilíbrio de poder está a mudar?

Em suma, o mais interessante no meio disto tudo não é apenas o Dimensity 9600 em si, mas o que ele representa. Pela primeira vez em muito tempo, a MediaTek não é a alternativa “mais barata”. Em vez disso, começa a aparecer como uma escolha estratégica consciente para flagships de topo.

Assim, se isto se confirmar, 2026 pode marcar um ponto de viragem no mercado Android, onde a Qualcomm deixa de ser a escolha automática e passa a ser apenas uma das opções. Para os fabricantes, isso é ótimo. Para os consumidores, pode significar mais concorrência real e, com alguma sorte, menos abusos nos preços finais.

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Nuno Miguel Oliveira
Nuno Miguel Oliveirahttps://www.facebook.com/theGeekDomz/
Desde muito novo que me interessei por computadores e tecnologia no geral, fui sempre aquele membro da família que servia como técnico ou reparador de tudo e alguma coisa (de borla). Agora tenho acesso a tudo o que é novo e incrível neste mundo 'tech'. Valeu a pena!

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