Durante anos falou-se da crise criativa de Hollywood, da falta de ideias, do excesso de remakes e sequelas. Claro que agora também temos o streaming, e a facilidade de acesso a tudo e mais alguma coisa a partir de canais pirata. Mas a verdade é bem mais simples e bem mais dura.
O cinema está a definhar porque as contas deixaram de bater certo.
Ben Affleck explicou isso de forma quase brutal, com um exemplo tão simples que chega a ser assustador.
As contas começam tortas logo à partida

Antigamente, era possível ver um filme por tudo e por nada. Hoje em dia? Nem por isso.
Mais concretamente, um filme perfeitamente “normal” precisa logo à partida de 25 milhões de dólares só para ser feito, e aqui nem estamos a falar de muito CGI. Um simples drama, um thriller, uma história adulta com um elenco minimamente reconhecível começa logo nesse patamar.
Depois vem a parte que muita gente ignora. Ou finge ignorar. O marketing.
Para um filme ter hipótese de sobreviver nas salas de cinema, precisa de mais uns 25 milhões só para ser divulgado. Trailers, campanhas online, cartazes, presença em festivais, entrevistas, junkets, redes sociais.
Assim, antes de alguém comprar um bilhete, já lá vão 50 milhões.
Depois… Temos as salas de cinema!
A seguir entra o golpe final. As salas de cinema ficam, em média, com cerca de metade da receita de bilheteira. Em alguns mercados até mais, sobretudo nas primeiras semanas, que são precisamente as mais importantes.
Assim, um filme que custou 25 milhões a produzir não precisa de faturar 25 milhões para se pagar. Precisa de faturar perto de 75 milhões só para ficar no 0. Não para dar lucro. Apenas para não perder dinheiro.
Porque é que os filmes “normais” desapareceram?
Este modelo económico mata o cinema de média escala.
Aquele filme adulto, original, sem super-heróis, sem marca conhecida, sem universo expandido, não tem margem de erro. Se não explode logo na estreia, está morto.
É por isso que os estúdios só querem franquias, sequelas e propriedades intelectuais recicladas. Apenas e só porque esses projetos têm hipóteses reais de ultrapassar a barreira absurda dos custos iniciais.
O streaming não resolveu o problema, só o mudou de sítio
Durante algum tempo vendeu-se a ideia de que o streaming ia salvar o cinema. Mas, na prática, apenas mudou o buraco financeiro. As plataformas gastam fortunas em conteúdo, mas não têm bilheteira direta, não têm retorno claro por projeto e cancelam tudo ao fim de semanas se os números não explodirem.
Hollywood não está a morrer por falta de ideias
Elas existem. Apenas não dão dinheiro.
Está a morrer porque fazer cinema deixou de ser sustentável fora dos extremos. Ou és um mega sucesso global, ou és considerado um fracasso. Não existe meio termo.
Ninguém quer arriscar.

