Smartphones. Piores ou 30% mais caros. Escolhes o quê?

Já todos nós sabemos que o mercado está de pantanas. A crise dos chips afeta tudo o que é tecnologia, onde claro está, temos o mundo dos smartphones em grande destaque. Isto porque, como as fabricantes têm de lançar novas gerações todos os anos, as coisas complicam-se a bom complicar.

Smartphones. Piores ou 30% mais caros. Escolhes o quê?

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Os smartphones estão estagnados, mas também estão cada vez mais caros. Se calhar não notas grande coisa, porque o teto máximo tem sido sempre o mesmo, os 1500€ do iPhone 17 Pro Max e do Galaxy S25 Ultra.

Mas, para quem não quer um topo-de-gama, a vida tem ficado mais complicada ano-após-ano, e de facto, parece que vai piorar ainda mais. Quem o afirma é um dos responsáveis por uma das fabricantes mais irreverentes do mercado, e que tem apostado forte na qualidade-preço.

Estamos a falar da Nothing, com o seu CEO (Carl Pei) a afirmar que existem dois caminhos. Um aumento de 30% no preço. Ou então, lançar smartphones com especificações piores, ao mesmo preço de antigamente.

O truque que sustentou o mercado durante 15 anos acabou

Durante mais de uma década, a indústria dos smartphones viveu confortável. Sim, alguns componentes ficavam mais caros, como é o caso do SoC. Mas tudo o resto tendia a ir para baixo. Como era o caso dos ecrãs, memória RAM e armazenamento. O que permitia lançar novos modelos com mais potência e mais funções sem grandes aumentos de preço.

Esse ciclo acabou.

A crise da DRAM fez os preços da RAM e da NAND dispararem nos últimos meses, e segundo Carl Pei, não há qualquer sinal de normalização antes de 2028. Ou seja, isto não é um problema passageiro.

RAM que custava 20 dólares pode passar os 100

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Um dos números mais chocantes partilhados por Carl Pei tem a ver com os custos diretos. Em 2025, um módulo de RAM para um topo de gama custava cerca de 20 dólares. No final de 2026, esse valor pode ultrapassar os 100 dólares.

Isto coloca os fabricantes contra a parede.

Ou aumentam o preço final dos smartphones em mais de 30%, em alguns casos, ou começam a cortar onde dói mais ao consumidor, menos RAM, menos armazenamento, câmaras mais fracas, materiais piores ou software mais limitado.

A Nothing já decidiu. Vai aumentar preços!

A Nothing é uma das fabricantes mais recentes do mercado. Por isso, limitar qualidade e performance não pode estar em cima da mesa.

Por isso, os preços vão aumentar. Além disso, projetos mais ambiciosos podem ficar pelo caminho, como é o caso de um smartphone realmente de topo, para rivalizar com a Samsung, Xiaomi e Apple.

Além disso, nos segmentos de entrada e gama média, a corrida às especificações acabou por agora. Não há margem para continuar a subir números mantendo preços simpáticos.

O problema não é só da Nothing. É de todos!

Este não é um drama exclusivo de uma marca alternativa. Se a DRAM continuar cara, todas as fabricantes vão ser afetadas, das mais baratas às premium. E isso ajuda a explicar porque é que já estamos a ver regressos a configurações que julgávamos enterradas, como 8 GB de RAM em modelos caros, ou até menos em gamas médias.

A pergunta já não é se os smartphones vão mudar. É como. Agora resta perceber quem opções cada fabricante vai tomar.

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Nuno Miguel Oliveira
Nuno Miguel Oliveirahttps://www.facebook.com/theGeekDomz/
Desde muito novo que me interessei por computadores e tecnologia no geral, fui sempre aquele membro da família que servia como técnico ou reparador de tudo e alguma coisa (de borla). Agora tenho acesso a tudo o que é novo e incrível neste mundo 'tech'. Valeu a pena!

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