Honor Magic 8 Pro: potência não lhe falta, mas precisava de sal

A HONOR é uma fabricante que tem vindo a aparecer aos poucos, mas quase sempre com muita força. É a marca que no fundo vem tentar ocupar o espaço que a HUAWEI deixou vazio, e que nunca foi realmente preenchido.

Dito tudo isto, o novo Honor Magic 8 Pro que chega agora ao nosso mercado é daqueles smartphones que impressiona logo à primeira vista. Grande, pesado, cheio de músculo técnico e com ambições claras de jogar na liga dos Ultra e Pro Max.

Curiosamente, também é mais barato que todos os seus rivais diretos.

Mas, há detalhes que precisam de ser mais polidos. E é aqui que a HONOR precisa de se concentrar.

Usei o Magic 8 Pro durante várias semanas e a sensação final é simples de explicar. Há muito para gostar… Mas a HONOR precisa de fazer mais no seu próximo topo-de-gama. Tem de sair da caixa, com irreverência e inovação técnica.

Design imponente com câmara exagerada

O Magic 8 Pro não passa despercebido.

A traseira é dominada por um módulo de câmara enorme, que quase duplica a espessura do telefone nessa zona. É uma escolha estética assumida, que mostra onde o foco está. Mas… também acaba por ser pouco prática. Em cima de uma mesa, abana. No bolso, sente-se. Na mão, pesa.

Além disso, o design com câmara circular anda a ser a escolha da fabricante há várias gerações. As rivais já deixaram esta ideia para trás. Não foi por acaso.

Entretanto, com 213 gramas, está ao nível de um Galaxy Ultra, mas sem a elegância mais contida que a Samsung consegue sempre alcançar. Porém, em contrapartida, as curvas ligeiras no ecrã ajudam no conforto, algo que nem todos os rivais conseguem.

A construção é excelente, com certificação IP68 e IP69K, algo raro mesmo neste segmento.

Um botão de IA que ainda não sabe bem o que quer ser

A IA é o futuro, mas ainda ninguém sabe muito bem o que significa no presente.

A HONOR é uma outra fabricante que decidiu adotar um botão dedicado à IA. Colocado praticamente no mesmo sítio onde a Apple tem o controlo de câmara. A ideia é interessante, mas a execução ainda não convence.

Podes lançar a câmara, aceder a funções de IA, Google Lens e outras opções. O problema é que muitas dessas ações não justificam um botão físico dedicado. Falta liberdade. Falta poder personalizar isto a sério.

Ecrã excelente!

O ecrã é um dos pontos altos do Magic 8 Pro. Painel OLED LTPO de 6.71 polegadas, 120Hz, cores muito bem afinadas e brilho absurdo em HDR. Ver conteúdos aqui é um prazer.

Mas há um problema que não dá para ignorar. O recorte frontal é grande demais. É o que é.

Por sua vez, os altifalantes acompanham o nível do ecrã. Isto com potente, limpo e com bom corpo, especialmente para consumo multimédia.

Desempenho de topo, sem surpresas

Com o Snapdragon 8 Elite Gen 5, 12 GB de RAM e 512 GB de armazenamento, não há muito a dizer. É rápido, fluído e aguenta tudo o que lhe atirares à frente.

Jogos pesados, multitasking agressivo, hotspot, tudo corre sem stress. Aqui a Honor fez o trabalho de casa.

No fundo, se há pequenos engasgos ocasionais, vêm do MagicOS, não do hardware.

Câmaras boas, mas inconsistentes onde não deviam falhar

O conjunto de câmaras é impressionante no papel. Sensor principal de 50 MP, ultra grande angular também de 50 MP e um telefoto de 200 MP com zoom óptico de 3.7x.

Em boas condições de luz, os resultados são excelentes. Muito detalhe, bom HDR, cores consistentes entre lentes e um zoom que impressiona até valores elevados.

Mas, nem sempre é possível retirar todo o sumo que o sistema promete. Isto é devido ao software, que precisa de ser mais polido. Comparado com um Pixel recente, ou um qualquer Xiaomi ou Samsung, o Magic 8 Pro perde em consistência.

Zoom

Selfie

Não é difícil tirar uma boa foto. Aliás, é muito fácil tirar fotos quase absurdas com a qualidade que se captura. Mas, do nada, vais tirar uma foto estranha porque o software não foi capaz de manter o nível de consistência desejado. Não é o fim do mundo, mas é chato.

Bateria enorme e carregamentos absurdamente rápidos

Aqui não há discussão. A bateria é excelente e facilmente aguenta dias longos de uso intensivo. Mesmo quando puxas por ele, chega ao fim do dia com margem.

Por sua vez, o carregamento rápido é outro ponto forte. 100W por cabo e 80W sem fios. Não vem carregador na caixa, como já é normal na Europa. Mas qualquer adaptador potente resolve o assunto.

Neste campo, a Honor continua a dar lições à Apple e à Samsung.

Software continua a ser o calcanhar de Aquiles!

Como dissemos em cima, o problema está muitas vezes no software. O hardware é incrível, disso não há dúvidas, mas nem sempre é bem acompanhado.

Sim, o MagicOS 10 está melhor do que no passado, mas continua longe de ser um Android limpo. Há duplicação de apps, opções a mais, menus confusos e pequenas decisões irritantes que obrigam o utilizador a perder tempo a arrumar a casa.

A parte positiva é o compromisso com 7 anos de atualizações. Aqui, a Honor esteve muito bem, e tem tempo para corrigir todas as falhas que assolam o seu sistema operativo.

Vale a pena?

Depende do que procuras.

O Honor Magic 8 Pro é poderoso, tem um ecrã excelente, bateria brutal e carregamentos rapidíssimos. É um topo-de-gama a sério, a um preço um pouco mais em conta. Por isso, é inegável que vais ficar bem servido. Mas, num mercado cheio de opções, a HONOR devia tentar fazer mais para separar o seu flagship de todos os rivais no mercado.

Em suma, é um grande smartphone. Aliás, fui assaltado em Lisboa, e levaram este Honor no saco todos contentes. Mas, ainda assim, parece faltar sal. 

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Nuno Miguel Oliveira
Nuno Miguel Oliveirahttps://www.facebook.com/theGeekDomz/
Desde muito novo que me interessei por computadores e tecnologia no geral, fui sempre aquele membro da família que servia como técnico ou reparador de tudo e alguma coisa (de borla). Agora tenho acesso a tudo o que é novo e incrível neste mundo 'tech'. Valeu a pena!

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