Recentemente, a controvérsia instalou-se quando o chatbot Grok, da xAI de Elon Musk, foi acusado de inundar a rede social X com milhares de imagens sexualizadas geradas por inteligência artificial. Este incidente viola as diretrizes das principais lojas de aplicações, como a da Apple e da Google, e trouxe à luz um problema crescente: as ferramentas de nudificação. Mas o que são exatamente estas apps de nudificação, como operam e porque representam um risco tão elevado para a sociedade?
O que são as apps de nudificação?
Basicamente, estas ferramentas são softwares baseados em inteligência artificial, disponíveis na web ou em telemóveis, desenhados para manipular imagens. O objetivo é criar, revelar ou simular nudez. Entretanto estas aplicações, muitas vezes comercializadas como editores de corpo ou removedores de roupa, utilizam algoritmos para despir digitalmente uma pessoa numa fotografia, gerando uma versão nua ou seminua da mesma.

A tecnologia por trás da manipulação
O funcionamento destas apps baseia-se em aprendizagem automática (machine learning) e IA generativa. O processo é simples:
- Tu fazes o upload de uma foto de uma pessoa vestida.
- A rede neural da aplicação deteta os contornos do corpo e o vestuário.
- O algoritmo prevê como seria o corpo por baixo da roupa e gera pele, anatomia e texturas sintéticas para substituir o vestuário.
Estas ferramentas permitem ainda o uso de comandos de texto (prompts) para ajustar o resultado, pedindo à IA para misturar a imagem de forma realista ou exagerar certas características. O resultado final, muitas vezes, só é libertado após pagamento.
Os quatro tipos principais
Podemos categorizar estas ferramentas em quatro grupos distintos:
Apps de remoção de roupa: Assim focam-se exclusivamente em retirar digitalmente o vestuário da imagem original.
Deepfakes: Trocam o rosto de uma pessoa para o corpo de outra em situações de nudez.
Geradores de arte por IA: Criam imagens adultas a partir de descrições de texto.
Editores de corpo: Alteram e exageram a anatomia do sujeito.
A ilusão da realidade
Entretanto é importante perceberes que estas imagens não são reais. As aplicações não têm visão de raio-X; elas geram ficção. Frequentemente, os resultados são anatomicamente incorretos, com falhas na iluminação, proporções erradas e detalhes que não correspondem à realidade. A app está apenas a tentar adivinhar e preencher os espaços com base em dados de treino, não a revelar o corpo verdadeiro da pessoa.

O perigo ético e legal
Para além de produzirem resultados falsos, estas apps de nudificação levantam graves questões morais e legais. Assim o problema central é a falta de consentimento. Estas ferramentas violam a privacidade, promovem a exploração sexual e usam-se para assédio e difamação.
Governos, como o do Reino Unido, já começaram a proibir estas aplicações, especialmente após alertas sobre o risco de geração de imagens sexuais envolvendo menores.
O impacto devastador nas vítimas
Entretanto as estatísticas são alarmantes: cerca de 99% dos deepfakes de cariz sexual não consensuais têm como alvo mulheres e raparigas, incluindo menores de idade. Para além disso estas imagens falsas utilizam-se como arma para bullying, coação e extorsão.
Para as vítimas, as consequências são muito reais. A circulação de falsos nus pode destruir reputações, arruinar carreiras e causar danos psicológicos profundos. Em países com culturas mais conservadoras, as mulheres alvo destas montagens podem até enfrentar processos criminais ou violência física, apesar de serem, na verdade, as vítimas de uma manipulação digital.

