Com a loucura da IA, os publishers esperam uma queda brutal no tráfego. Aliás, esta queda já pode ser sentida, sendo exatamente por isso que há muitos sites a fechar portas. Mas, isto não é só culpa da IA.
Mais concretamente, segundo um novo relatório do Reuters Institute for the Study of Journalism, os publishers acreditam que vão perder mais de 40% do tráfego vindo dos motores de busca ao longo dos próximos três anos.
Algo que não é novidade para ninguém, visto que o impacto já começou. As pessoas já não usam motores de busca para encontrar a resposta a algo. Usam um ChatBot como o ChatGPT, para ter uma resposta direta.
É completamenta natural.
O tráfego já está a cair. E não é pouco

Dados da Chartbeat, usados no relatório, mostram que o tráfego agregado para centenas de sites de notícias vindo da pesquisa Google já está a diminuir. Os mais afetados? Sites focados em lifestyle, guias, dicas, explicadores. Coincidência? Claro que não.
Tudo isto começa a acelerar com os resumos gerados pela IA da própria Google, que responde diretamente às perguntas dos utilizadores sem necessidade de clicar em links. O utilizador fica satisfeito. Mas, o site que criou o conteúdo fica a ver navios.
Depois temos ainda as redes sociais. O tráfego de referência vindo do Facebook caiu cerca de 43%. No X, antigo Twitter, a queda foi de 46%. Ou seja, os canais que alimentavam os sites estão a secar… Todos ao mesmo tempo.
A Google quer IA em todo o lado. Mas continua a viver de anúncios
Há aqui uma contradição cada vez mais difícil de esconder, e é por aqui que os sites estão a dizer adeus.

A Google empurra IA para todo o lado, rouba cliques aos sites, reduz drasticamente o tráfego… Mas continua a encher a Internet de publicidade, incluindo nos próprios sites que estão a ser asfixiados.
Além disso, paga cada vez menos a quem cria o conteúdo que a alimenta. Algo curioso, porque continua a faturar como nunca. A máquina está a gerar dinheiro. Só não está a distribuí-lo por quem o alimenta.
Aqui convém dizer isto de forma clara: ninguém trabalha de borla.
Escrever, investigar, criar conteúdo, testar produtos, analisar tendências… tudo isso custa tempo, pessoas e dinheiro. Quando o retorno desaparece, o volume de notícias baixa. Depois baixam as equipas. Depois fecham portas. Ah… No final… Até a IA vai sofrer.
Porque sem conteúdo humano, a IA alimenta-se do quê?
E agora?
Curiosamente, apesar de tudo isto, muitos publishers dizem estar otimistas. Não com o jornalismo em si, mas com a capacidade de adaptação dos seus negócios. Afinal, com menos rivais, quem aguentar vai ter uma maior quota do mercado.
A aposta passa por conteúdos mais diferenciados, mais humanos, mais difíceis de sintetizar por uma IA. Mais vídeo, mais formatos, mais personalização. E sim, também por usar IA internamente, mas com cuidado, porque o equilíbrio é frágil.

