Renault Filante: a marca quer voltar ao luxo. Mas… Não chega cá?

A Renault está a preparar um regresso ao segmento premium, e ainda bem que assim é. Até porque a fabricante tem vindo a piscar o olho a este pequeno espaço há vários meses, especialmente depois do lançamento do Rafale. Mas, esta aposta não é bem como muitos imaginariam.

Não é um modelo de topo para rivalizar com as marcas Alemãs, como é o exemplo da BMW ou Mercedes. O plano é outro. Chama-se Renault Filante, é um SUV grande, luxuoso, e nasce pensado para mercados onde o dinheiro ainda fala mais alto do que o “status”.

Gostavas de o ver por cá? Estás com azar.

Um novo topo de gama? Sim, mas não é para todos.

O Renault Filante vai assumir o papel de modelo de topo numa nova ofensiva global da marca francesa, integrada num plano de investimento de cerca de 3 mil milhões de euros focado em mercados fora da Europa.

A prioridade é: Coreia do Sul, Médio Oriente e outros mercados onde SUVs grandes e bem equipados continuam a vender que nem pão quente.

Um Renault? Sim… Com ADN Geely

Aqui começa a parte mais polémica da história.

A Renault é uma marca francesa, e por isso é também uma marca orgulhosa. Também tem feito uma caminhada extremamente interessante ao longo dos últimos anos, ao fazer um salto qualitativo como há muito não se via. Aliás, até a própria Dacia tem vindo a subir de nível, o que tem sido muito interessante de se ver.

Mas, temos de o dizer. O Renault Filante não é um Renault puro. Por baixo da carroçaria está a mesma base do Grand Koleos, desenvolvido em parceria com a Geely, usando a plataforma CMA, a mesma de modelos como o Volvo XC40 ou Polestar 2.

Isto significa que o Filante é, na prática, um SUV de origem chinesa, reinterpretado pela Renault para mercados específicos.

Motorização híbrida, mas não como na Europa

A mecânica segue a mesma lógica.

O Filante usa um sistema híbrido que a Renault chama de E-Tech, mas que na realidade não é bem o E-Tech que conhecemos da restante gama da gigante Francesa. É um sistema desenvolvido pela Geely. Combina um motor a gasolina de 1.5 litros com motor elétrico, gerador e uma pequena bateria de 1.6 kWh.

No total, entrega 247 cavalos e 417 Nm de binário, valores mais do que respeitáveis para um SUV deste tamanho.

Grande, imponente e claramente premium

Em termos de dimensões, o Filante entra diretamente no território de modelos como o Volvo XC90, Audi Q7, BMW X5 ou Genesis GV80.

Estamos a falar de quase 5 metros de comprimento e 1.9 metros de largura, tornando-o maior do que qualquer Renault vendido atualmente na Europa.

O design aposta numa silhueta mais próxima de uma berlina elevada do que de um SUV tradicional, com linha de tejadilho fluída, superfícies bem trabalhadas e uma identidade visual totalmente distinta de qualquer outro Renault.

A Renault sabe que não consegue ganhar na Europa?

Não é estranho ver uma marca profundamente Europeia a lançar um novo veículo que não deverá meter cá os pés? Fica a ideia de que a Renault pensa que já falhou demasiadas vezes no segmento Premium Europeu. Por isso, decidiu fazer algo diferente.

O verdadeiro objetivo?

Este Filante não existe para mudar a imagem da Renault na Europa. Existe para aumentar a receita média por unidade nos mercados internacionais.

É uma estratégia de “upgrade” da gama global, usando parcerias, plataformas partilhadas e soluções já amortizadas para entrar em segmentos mais rentáveis, sem os custos de desenvolvimento de um modelo totalmente novo.

Conclusão: Luxo! Mas longe de casa

O Renault Filante é um sinal claro de que a marca quer voltar a jogar no campeonato do luxo, mas… De forma um pouco diferente. A Renault não quer apontar armas à Audi, BMW e Mercedes em casa.

Quer apontar primeiro lá fora e depois logo se vê.

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Nuno Miguel Oliveira
Nuno Miguel Oliveirahttps://www.facebook.com/theGeekDomz/
Desde muito novo que me interessei por computadores e tecnologia no geral, fui sempre aquele membro da família que servia como técnico ou reparador de tudo e alguma coisa (de borla). Agora tenho acesso a tudo o que é novo e incrível neste mundo 'tech'. Valeu a pena!

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