Durante muito tempo houve um consenso quase universal à volta da BYD. Talvez não fossem os mais dinâmicos à exceção de modelos como o Seal e o Sealion 7 que são de facto automóveis muito bons. Mas, eram carros interessantes, com bons preços, e com boa tecnologia… Porém, sempre com software fraco.
De facto, é isto que menos gosto em todos os BYD que vou testando. O software é muito… Cru!
Sistemas de infotainment confusos, pouco intuitivos, com atualizações lentas e uma experiência que fica claramente atrás daquilo que marcas como a Tesla ou até algumas marcas europeias já ofereciam.
Pois bem. Isso está a mudar. E não é pouco.
Não é só Android Auto. É Android a sério!

A grande viragem está na adoção do Android Automotive OS. Não estamos a falar de Android Auto. É o sistema completo, tal como já acontece na Volvo, Renault e Polestar.
Isto significa que, em vez de depender do teu smartphone para tudo, o carro passa a ter o Android como sistema operativo base, e deixas de ter de mexer naqueles menus estranhos e super confusos.
Google integrado no carro, não no telemóvel
Com o Android Automotive, o carro passa a ter Google Maps, Google Assistant e Play Store integrados nativamente.
Entras no carro, ligas, e o sistema já sabe quem és, para onde vais e como gostas de interagir. Voz, navegação, apps, tudo ali. Como num smartphone, mas pensado para condução.
Tudo isto com muitas e boas atualizações rápidas.
O maior calcanhar de Aquiles começa a cair

Vamos ser claros. O maior defeito da BYD nunca foi bateria, nem autonomia, nem motor. Foi sempre o software. A experiência digital dentro do carro.
Isto porque, nos tempos que correm, os carros são cada vez mais tecnologia pura e dura, e não um automóvel com 4 rodas, pedais e um volante.
Assim, ao apostar no Android Automotive, a BYD está a fazer aquilo que devia ter feito desde o início. Parar de reinventar a roda e usar uma base sólida, moderna e já conhecida pelos utilizadores.
Isto aproxima a experiência BYD daquilo que muitos consumidores esperam hoje de um carro elétrico moderno. Conectado, fluído, atualizado e simples de usar.
Isto muda a perceção da marca
Em suma, com esta decisão, a BYD deixa de ser apenas “boa para o preço” e começa a entrar num território mais perigoso para a concorrência. O território do produto completo.
Ou seja, se formos juntar isto à evolução no design, à eficiência elétrica e aos preços agressivos, começa a faltar pouco para a BYD deixar de ter pontos fáceis de atacar. Ah… e aqui temos de ter em conta que a BYD já anda a vender muito bem na Europa. Em Portugal vendeu mais de 6000 carros em 2025. Está a crescer muito bem! Isto só vem ajudar ainda mais a festa.

