A Xiaomi pode estar a preparar um dos movimentos mais ambiciosos da sua história no mundo dos smartphones, e que pode servir de catapulta para aquilo que realmente interessa.
Ou seja, depois do XRING 01, que serviu como prova de que a marca consegue reduzir a dependência da Qualcomm e da MediaTek, surgem agora rumores de que o próximo passo vai muito além de um simples SoC novo.
A ideia é simples de explicar, mas complicada de executar. Estamos a falar de chip próprio, sistema operativo próprio e inteligência artificial a correr localmente no dispositivo.
Se isto se confirmar, a Xiaomi passa para um patamar onde muito poucas marcas conseguiram chegar.
O XRING 02 não vem sozinho

Segundo informações associadas ao leaker Ice Universe, a Xiaomi deverá apresentar ainda este ano um equipamento baseado no novo XRING 02, mas o SoC não será a única novidade. O smartphone poderá chegar acompanhado por um sistema operativo desenvolvido internamente e uma solução de IA generativa local.
Se acontecer, a Xiaomi será apenas a segunda marca chinesa a conseguir algo deste género, depois da Huawei.
Porém, não vai ser uma aposta realmente própria como é a da Huawei. Ou seja, vários rumores apontam para que seja um Android mais personalizado. Porém, ainda assim, continua a ser uma ideia muito interessante, desde que bem implementada.
Preço é um problema?
Em teoria, o XRING 02 faria mais sentido se avançasse para os 2 nm da TSMC, até para competir com o que aí vem da Qualcomm, da MediaTek e da Apple. O problema é que isso custa caro. Muito caro.
Cada wafer a 2 nm pode rondar os 30 mil dólares, o que torna esta transição tudo menos trivial. Além disso, há outro obstáculo difícil de ignorar: o acesso a ferramentas avançadas de EDA, cada vez mais condicionado por restrições dos Estados Unidos à China.
Na prática, isso pode obrigar a Xiaomi a ficar pelos 3 nm (N3P), o que não invalida o projeto, mas limita a margem de manobra técnica.
Independência total? Aos poucos!
Mesmo com um SoC próprio, a Xiaomi continua dependente de terceiros em áreas críticas. Os núcleos de CPU e GPU continuam a vir da ARM, e a produção continua nas mãos da TSMC. A RAM também vem de fora, bem como o ecrã e outros componentes.
Ou seja, isto não é uma rutura total com o ecossistema atual, mas sim um controlo muito maior sobre a integração entre hardware, software e IA.
A IA local é a peça-chave
A parte mais interessante de todo este rumor não é o chip, nem sequer o sistema operativo. É a aposta numa IA generativa local, a correr no próprio dispositivo, sem depender constantemente da cloud.
Menos latência, mais privacidade, menos custos operacionais e uma experiência mais integrada. É exatamente aqui que o mercado está a caminhar, e a Xiaomi não quer ficar atrás.
Vale a pena acreditar?
Estamos a falar de rumores, e convém manter os pés no chão. Mas também é verdade que o XRING 01 não apareceu do nada. Foi o resultado de mais de uma década de investigação e de investimentos que, segundo o próprio CEO da Xiaomi, ultrapassam os 14.5 mil milhões de dólares.
Portanto, quando se diz que “se há marca capaz de tentar isto, é a Xiaomi”, não é apenas conversa de fórum.
Se vai resultar? Isso já é outra história.

