Quem não gosta de ver aquela etiqueta vermelha ou amarela a gritar Promoção? É quase instintivo: vemos o desconto, fazemos a conta mental rápida e o produto salta para o carrinho. Mas, e se te disser que muitas vezes esse preço que vês na prateleira não é o que acabas por pagar? Não estamos a falar de um roubo premeditado, mas de um fenómeno cada vez mais comum no retalho português: a confusão das etiquetas de supermercado sobrepostas.
Etiquetas de supermercado: o que se passa nas prateleiras?
A realidade dos supermercados é frenética. Em dias de mudança de folheto ou campanhas de fim de semana, os funcionários têm de alterar milhares de preços em poucas horas. É aqui que o erro acontece.

Muitas vezes, a nova etiqueta (com o preço normal) é colada apressadamente sobre a antiga (de promoção), ou vice-versa. O problema? A cola falha, a etiqueta desliza ou fica mal posicionada.
Tu olhas e vês 1,99€. Mas o sistema, que é infalível nestas coisas, sabe que o preço real já voltou aos 2,99€. Como a maioria de nós não memoriza o preço de cada item, a diferença passa despercebida no somatório final da conta.
A armadilha da “proximidade”
Outro cenário clássico que deves ter em atenção não é a etiqueta dupla, mas a etiqueta vizinha. Imagina que o champô da marca X “Cabelos Secos” está com 50% de desconto. Ao lado, está o “Cabelos Oleosos” da mesma marca, ao preço normal. A etiqueta de promoção muitas vezes está colocada no meio, ou ligeiramente deslocada. Na pressa, levas o produto errado a pensar que o desconto é geral.
Nas lojas de bairro, onde o sistema é menos digital e mais manual, o risco de encontrares preços desatualizados ainda afixados pode ser ainda maior.
Porque é que continuamos a cair nisto?
Os supermercados jogam com a nossa psicologia e rotina:
O piloto automático: Fazemos compras com pressa e confiamos no que os olhos veem primeiro.
A vergonha de confirmar: Parar para ler o código de barras ou confirmar se a descrição bate certo com o produto dá trabalho.
O valor irrisório: Se a diferença for pequena, achamos que “não vale a pena” voltar atrás para reclamar 30 cêntimos.

A regra de ouro para te defenderes
A lei em Portugal é amiga do consumidor. Decora isto: o preço afixado é o preço que deves pagar.
Se na prateleira diz 10€ e na caixa passa a 15€, tens o direito de exigir pagar os 10€ (a menos que seja um erro óbvio, como uma TV a 1€). Mas para isso, tens de estar atento.
O que deves começar a fazer hoje:
Confere o talão ainda na loja: É o hábito mais aborrecido, mas o mais rentável. Verifica, pelo menos, os artigos onde tinhas a certeza que havia desconto.
Atenção aos códigos: Antes de pegar no produto, vê se o nome na etiqueta corresponde ipsis verbis ao que tens na mão (peso, sabor, variedade).
Usa o telemóvel: Viu um preço estranho ou uma etiqueta sobreposta? Tira foto. É a prova que acaba com qualquer discussão na caixa central.
As promoções são ótimas, mas só se forem reais. Da próxima vez, perde mais 5 segundos a olhar para a etiqueta. A tua carteira vai agradecer.

