Quando se conduz um carro elétrico, especialmente nas primeiras vezes, ficamos sempre com a ideia de que estamos a conduzir um “smartphone”. Claro que um telemóvel não tem rodas nem volante, a não ser que tenhas uma capa mesmo muito estranha. Mas, dizemos isto no sentido em que quando a bateria chegar aos 0%, acaba-se a brincadeira.
Porém, a realidade é bem diferente, e o Tesla Model 3 é mais uma prova disso.
Ou seja, tal como acontece nos carros a combustão, onde existe sempre uma reserva quando o ponteiro chega ao zero, alguns elétricos também escondem uma margem de segurança quando o painel mostra 0%.
Dito isto, no caso do Model 3 2026, essa margem é tudo menos simbólica. É quase como se fosse a Reserva.
Como se descobriu que existem elétricos com “reserva”?
Kyle Conner, do canal Out Of Spec, decidiu levar um Model 3 Premium até ao limite absoluto. Bateria pré-condicionada, circuito fechado por razões de segurança e condução controlada. O teste começou com 5% de carga, sendo que o computador de bordo foi reiniciado assim que o carro chegou aos 0%.
A ideia era simples. Descobrir quantos quilómetros ainda existem depois do temido zero.
0% não significa parar!
Quando o ecrã passou para 0%, o carro ainda indicava cerca de 3 quilómetros de autonomia. Nada de inesperado. O que surpreendeu foi o que veio a seguir.
Depois de a autonomia indicada cair para zero absoluto, o Model 3 continuou a circular durante mais 50 quilómetros. Sim, leste bem. Cinquenta quilómetros adicionais sem qualquer indicação de carga disponível.
Durante esse percurso, o carro consumiu cerca de 6 kWh que estavam completamente escondidos do utilizador. No fundo, uma reserva pensada para emergências reais, não para uso diário.
Eficiência absurda ajuda muito!
Este resultado também não surge do nada. O Model 3 já é um dos sedans elétricos mais eficientes do mercado. Durante o teste, registou um consumo médio de cerca de 192 Wh por quilómetro, o que equivale a aproximadamente 6.4 km por kWh.
Com uma autonomia EPA de cerca de 584 quilómetros, fica claro que a Tesla joga forte não só na capacidade da bateria, mas também na forma como gere a energia disponível.
O carro avisa antes de parar
Outro detalhe importante. O carro não morre de repente. À medida que a reserva vai sendo usada, o sistema começa a emitir avisos claros no ecrã. O modo de condução assistida acaba por ser desativado e, no fim, o carro abranda progressivamente até parar em segurança.
Nada de bloqueios súbitos ou situações perigosas no meio da estrada.
Todos fazem isto? Não. Mas todos têm reserva
Convém sublinhar uma coisa. Nem todos os elétricos têm uma reserva tão generosa como a Tesla. Mas todos os fabricantes deixam sempre alguma margem escondida quando o painel mostra 0%. É uma questão de segurança e também de proteção da bateria.
Ainda assim, isto não é um convite a andar sempre até ao limite. Descarregar baterias com frequência até zero não é saudável e não deve fazer parte da rotina.







